A Agência Democratize pesquisou as manchetes entre o começo de janeiro e o fim de abril deste ano, envolvendo o nome do novo presidente…

Após vitória, Rodrigo Maia fala em pacificação; mas no governo Dilma o discurso era de guerra

Após vitória, Rodrigo Maia fala em pacificação; mas no governo Dilma o discurso era de guerraA Agência Democratize pesquisou as manchetes entre o começo de janeiro e o fim de abril deste ano, envolvendo o nome do novo presidente…


Após vitória, Rodrigo Maia fala em pacificação; mas no governo Dilma o discurso era de guerra

Foto: Fábio Rodrigues/Agência Brasil

A Agência Democratize pesquisou as manchetes entre o começo de janeiro e o fim de abril deste ano, envolvendo o nome do novo presidente eleito da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM). Após vitória, o deputado fala em pacificação na Casa, mas nesse período, não faltaram ataques contra o governo de Dilma Rousseff.


Assim como o presidente interino Michel Temer (PMDB), o novo presidente eleito da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), hoje só fala em pacificação. Na mídia, foi vendido como um “homem conciliador”, nas palavras de William Waack, do Jornal da Globo desta quarta-feira (13).

Com um discurso que tenta trazer a “harmonia entre os partidos políticos”, os últimos meses do deputado do DEM não seguiram essa regra.

A Agência Democratize pesquisou manchetes relacionadas ao deputado entre o começo de janeiro e o final de abril deste ano, e o resultado comprova exatamente o oposto apresentado por Maia.

No dia 19 de março, por exemplo, o jornal O Globo destacava: “Rodrigo Maia: Vemos uma presidente sitiada no palácio”. Na entrevista, o deputado era destacado como um dos principais nomes da oposição na busca pelo impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.

“Maia contou que a oposição vai trabalhar para que o processo seja julgado o mais rápido possível e que, para ela, talvez seja até mais fácil ganhar a eleição de 2018 se Dilma sobreviver até lá”

Já no dia 10 de abril, o deputado que fazia parte da Comissão que analisava o pedido de impeachment, ainda teve tempo para fazer “piadas” com o ex-ministro da Justiça e atual advogado da presidente afastada, Eduardo Cardozo.

Em manchete da revista VEJA: “Rodrigo Maia ironiza “xepa” de Cardozo na defesa de Dilma e arranca risos na comissão do impeachment”.

Poucos dias depois, no dia 16 de abril (um dia antes da votação do impeachment pela Câmara), o Portal da Câmara dos Deputados destacava a iniciativa de Maia em liderar o processo de afastamento de Dilma no DEM: “Rodrigo Maia fala em crime da presidente”.

“Golpe é cometer um crime e não querer responder por ele”, comentou.

E não era por acaso.

No final de abril, ainda no dia 28, o jornal Zero Hora já explicava o motivo de tanto entusiasmo político por trás das declarações do deputado: “Rodrigo Maia é cotado para ser líder na Câmara do eventual governo Temer”.

Ainda faltava um pouco menos de 2 semanas para o afastamento de Dilma, que ocorreu no dia 11 de maio através de votação no Senado Federal. Mesmo assim, já havia uma articulação nos bastidores entre líderes do PMDB, PSDB e DEM para colocar Maia em um lugar de destaque no novo governo.

“Temer é considerado um conhecedor do funcionamento da Casa, da qual ele já foi presidente. O gesto de escolher como líder alguém de fora do PMDB seria um indicativo de amplitude e de valorização dos aliados”

Das notícias em destaque pesquisadas através do Google, apenas duas não tinham como foco o impeachment de Dilma — isso mesmo nos meses anteriores ao começo do processo, como janeiro ou fevereiro.

Uma das notícias “fora do impeachment” destacadas com o nome de Maia era sobre seu envolvimento na operação Lava Jato. A outra, do próprio site do DEM, fala sobre a aprovação do projeto do deputado no dia 31 de março, proibindo a produção e venda de alimentos com gordura trans. De resto, todo o foco político utilizado pelo novo presidente da Câmara foi na guerra pelo afastamento de Dilma Rousseff — algo que contradiz o seu atual discurso, e deixa uma dúvida: e se o processo de impeachment não avançar, e a presidente afastada voltar ao seu cargo, no lugar de Temer? A pacificação continua?

De qualquer forma, a vitória de Maia no segundo turno contra Rogério Rosso (PSD) ocorre com votos do próprio Partido dos Trabalhadores e aliados, como o PCdoB. Mostrando claramente que a política no Brasil é um mar de contradições.

By Democratize on July 14, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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