Familiares das vítimas de chacina em Mogi das Cruzes vão ao IML fazer o reconhecimento dos corpos. Foto: Gustavo Oliveira/ Democratize

Após suspeita de chacina, PM é acusada de ameaçar familiares de vítimas

Depois da confirmação de que os cinco corpos encontrados em uma mata na Estrada Taquarussu, em Mogi das Cruzes, no último domingo (6), eram dos jovens desaparecidos na região de Ribeirão Pires, há mais de duas semanas, familiares das vítimas têm reclamado de ameaças que estariam vindo por parte da Polícia Militar do Estado de São Paulo, provável envolvida no crime.

Os jovens desapareceram quando saíram do Jardim Rodolfo Pirani (zona leste de SP), onde viviam, para uma festa na cidade de Ribeirão Pires. Agora, com a confirmação de suas mortes e denúncias de que o crime seria uma chacina praticada pela PM, as famílias têm notado que carros e motos não identificados, além de viaturas de polícia, estão rondando e parando conhecidos das vítimas na rua. Segundo informações cedidas ao Democratize, um dos parentes cujo nome não será identificado à imprensa relatou que, na noite da última segunda-feira (7), um policial havia tomado seu celular para ver a galeria de fotos e sua relação com um dos jovens assassinados. Em seguida, passou a ameaçá-lo de morte.

O Condepe (Conselho Estadual em Defesa da Pessoa) deve ouvir familiares das vítimas nos próximos dias, além de formalizar o pedido de entrada no PPCAAM (Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte), em especial atenção a um garoto de 13 anos que também foi ameaçado.

A chacina teria sido feita por policiais militares como vingança à morte de um GCM (Guarda Civil Metropolitano). Segundo a Ponte Jornalismo, as cápsulas das pistolas .40 (arma de uso restrito das forças de segurança) utilizadas no crime pertencem a dois lotes comprados pela PM de SP da CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos).

Dois corpos já foram identificados pelo IML, os outros três ainda passam por procedimentos dos legistas. Foto: Gustavo Oliveira/Democratize
Dois corpos já foram identificados pelo IML, os outros três ainda passam por procedimentos dos legistas. Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

Os corpos encontrados estavam com queimaduras e em estado avançado de decomposição, pois foi jogado cal para acelerar o processo.  Já foi confirmado pelo IML Central (Instituto Médico Legal) o reconhecimento dos corpos de Caíque Henrique Machado (18 anos) e Robson Donato de Paula (16 anos). Faltam Cesar Augusto Gomes (19), Jonathan Moreira (18 anos), e Jones Ferreira Araujo (30 anos); este último seria o motorista do carro no momento da chacina).

A PM de São Paulo matou 5.097 pessoas entre 2004 e 2014. No mesmo período, grupos como Farc e Exército de Libertação Nacional mataram 1.256 pessoas. Mas, mesmo com o número elevado de dados, há pouco mais de um ano, o governador do estado Geraldo Alckmin, anunciou sigilo que varia 5 até 15 anos para 26 assuntos da Polícia Militar. Com o decreto, fica impossível que cidadãos confrontem a distribuição do efetivo policial de acordo com o mapa dos bairros onde há mais registros de crimes, ou avaliar o tipo de treinamento que os policiais recebem, por exemplo.

A Secretaria de Segurança Pública já anunciou que O TJM (Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo) decretou segredo de Justiça também neste caso dos cinco jovens assassinados.

A Agência Democratize acompanhou, no ano passado, a chacina de Osasco, que matou 23 pessoas e feriu outras 7. Até o momento, oito pessoas foram presas, mas quatro prisões foram revogadas. O inquérito segue aberto.

Ato em repúdio ao crime

Para denunciar a violência policial e a morte de cinco jovens, que tiveram seus corpos encontrados nesta segunda (7) na Grande São Paulo, movimentos negros se reúnem nesta quinta-feira (10), à partir das 18h, em vigília no Largo São Francisco, região central da capital paulista. O ato quer chamar a atenção do governo estadual e da população para o “genocídio” da juventude negra. A ONG Rio de Paz também está acompanhando de perto e, nos próximos dias, lançará a campanha #QuemMatou5, para reforçar o pedido de apuração célere, independente de quem foram os responsáveis pelo crime.

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