Na noite do dia 29, o Democratize recebeu a denúncia de moradores da comunidade Pavão Pavãozinho, localizada em Ipanema, na Zona Sul da…

Após os Jogos Olímpicos, comunidades do Rio voltam a viver a violência

Após os Jogos Olímpicos, comunidades do Rio voltam a viver a violênciaNa noite do dia 29, o Democratize recebeu a denúncia de moradores da comunidade Pavão Pavãozinho, localizada em Ipanema, na Zona Sul da…


Após os Jogos Olímpicos, comunidades do Rio voltam a viver a violência

Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

Na noite do dia 29, o Democratize recebeu a denúncia de moradores da comunidade Pavão Pavãozinho, localizada em Ipanema, na Zona Sul da cidade. A segurança pública já pode dar pequenos sinais do esgotamento de sua maquiagem olímpica — maquiagem que já possuía perfil excludente há muito tempo. O silêncio do período olímpico já possui como contraste o grito de tiros e o choro de crianças — os ecos da vida nas favelas, mais cedo ou mais tarde, atingirão também o silêncio do asfalto.


Por Sara Vieira

‘’Não tivemos grandes problemas durante as Olímpiadas, agora a situação voltou ainda pior do que era. Todos os diz, dia e noite, é assim que vivemos’’, diz o morador que gravou o vídeo, que serve como demonstração da relação tênue entre vida e morte que afeta o cotidiano dos moradores de diferentes áreas da cidade, principalmente as áreas onde as câmeras e os holofotes midiáticos dificilmente conseguem ser inseridos.”

“Querem dar segurança pra gringo? E depois que eles voltarem para o primeiro mundo? E o cidadão que morre por nada nas favelas? E eu que moro na Faixa de Gaza? O que eu faço depois dessa festa?’’ relata morador da Vila do João, uma das 17 comunidades que integram o Complexo da Maré. Enquanto limpava as lágrimas que facilmente surgiam em seu olhar, o morador tentava explicar como o procedimento de segurança das Olimpíadas se assemelha com o efetivado na Copa do mundo de 2014, ressaltando que seu medo se baseava na possibilidade de que o período que sucederia o evento fosse semelhante ao anterior — o terror e o medo cotidiano se intensificariam, apostou o morador.

A cidade do Rio de Janeiro viveu momentos de tranquilidade durante as Olímpiadas, período em que o policiamento da cidade foi reforçado com a colaboração dos setores de segurança pública nacional (Marinha, Aeronáutica, Força Nacional, PRF e PF se dividiram em diferentes áreas — além do aparato da inteligência internacional).O que aconteceria com a segurança pública na cidade após o período olímpico foi o grande questionamento entre seus moradores.

Enquanto o Estado insistia em ressaltar o sucateamento das políticas públicas e a crise financeira para melhor aplicação de politicas de segurança, novos investimentos eram oferecidos ao período olímpico — investimentos que se mostram cada vez mais distantes do cotidiano dos moradores do estado do Rio quando o assunto não está relacionado a grandes eventos. Ignorando o fato de que nossas vidas e nossa cidadania são um grande evento diário e de grande importancia — pelo menos, deveriam ser.

A Policia Militar organizou diversas medidas de policamento complementar. No dia 1 de agosto, disponibilizou o esquema de policiamento para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, ressaltando o efetivo de 10.414 policiais no patrulhamento ordinário, 3.503 PMs reforçando o policiamento das ruas — totalizando 13.917 policiais diariamente. As Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) também receberam acréscimo.

Os números facilmente geram questionamentos em relação a administração dos serviços em relação ao cotidiano inserido fora dos grandes eventos, mas um outro questionamento, talvez o mais apropriado, estaria menos relacionado aos números e mais ao preparo policial. Estaria esse número elevado de policiais nas ruas diretamente relacionado a um elevado nível de preparação para missões especificas?

‘’A policia não sabe diferenciar bandido. Se você é preto e mora na favela, você é bandido pra eles. Já me humilharam várias vezes. Eu sou pedreiro, já me pararam na rua e manaram eu esvaziar minha bolsinha de ferramentas, me empurraram e acharam graça. Eu reclamei e o deboche foi ainda pior. Eles não estão preparados para agir aqui na favela’’, relatou outro morador da comunidade Vila do João, que também optou por não se identificar.


Sara Vieira é repórter pela Agência Democratize no Rio de Janeiro

By Democratize on September 6, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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