Depois de não ter movido uma palha sequer contra o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), é a vez dos grupos “anti…

Após denúncia de Temer ter recebido propina, movimentos “escondem apoio”

Após denúncia de Temer ter recebido propina, movimentos “escondem apoio”Depois de não ter movido uma palha sequer contra o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), é a vez dos grupos “anti…


Após denúncia de Temer ter recebido propina, movimentos “escondem apoio”

Foto: Felipe Malavasi/Democratize

Depois de não ter movido uma palha sequer contra o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), é a vez dos grupos “anti-corrupção” fazerem de conta que “não sabem de nada” sobre o governo interino, agora que empresário denunciou em delação que Michel Temer recebeu propina para financiar a campanha de Chalita para a prefeitura de São Paulo.


Em delação premiada divulgada hoje pelo jornal Folha de S. Paulo, o empresário e ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, disse que o presidente interino Michel Temer (PMDB) pediu a ele que obtivesse doações eleitorais para o ex-deputado federal Gabriel Chalita, que na época estava no PMDB e era candidato à prefeitura de São Paulo, em 2012.

Na ocasião, Machado diz que acertou o valor de R$1,5 milhão para a campanha, pagos pela construtora Queiroz Galvão ao diretório do PMDB.

“O contexto da conversa deixava claro que o que Michel Temer estava ajustando com o depoente [Machado] era que este solicitasse recursos ilícitos das empresas que tinham contratos com a Transpetro na forma de doação oficial para a campanha de Chalita”, diz trecho da delação.

Trata-se de mais um terremoto no governo interino em Brasília, que já corre o risco de ver nas próximas semanas um ex-ministro sendo preso pela Polícia Federal, já que o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, havia determinado a prisão do ex-ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDB), homem de confiança de Michel Temer.

Cada vez mais isolado, o presidente interino começa a ver outros grupos se afastarem: os movimentos de rua que organizaram as manifestações contra a presidente Dilma Rousseff, como é o caso do Movimento Brasil Livre e do Vem pra Rua.

Considerado “fechado” com o novo governo até então, o MBL praticava nas redes sociais uma ferrenha defesa do presidente interino, com postagens reverenciando as “mitagens” de Michel Temer — chegando a colocar o famoso “óculos” nos memes relacionados ao interino. Foi o MBL também que defendeu o novo governo em relação ao fechamento do Ministério da Cultura, e até mesmo na medida de diminuir o tamanho do Sistema Único de Saúde, o SUS.

Assim como foi o caso do Revoltados On Line, membros do MBL se encontraram por diversas vezes com seus aliados em Brasília, agora no governo, para dar andamento ao seu programa ideológico — liberal.

Agora, com as acusações cada vez mais próximas de Michel Temer na Lava Jato, o grupo tenta se distanciar.

Apesar da clara tentativa de se desfazer do apoio feito anteriormente ao novo governo, em nenhum momento o Movimento Brasil Livre prega pela saída do presidente interino.

O motivo é que o grupo não faz a mínima questão do povo decidir nas urnas o novo presidente do país ainda neste ano, chegando a atacar a ex-presidenciável da Rede, Marina Silva, pela sua defesa por novas eleições presidenciais em 2016.

Mesmo assim, o grupo mantém o chamado para uma manifestação contra Dilma e pelo “Fica Temer”, programado para o dia 31 de julho — a expectativa, com as diversas denúncias contra o novo governo, é que os protestos acabem não conseguindo atrair tanta gente. No evento oficial no Facebook, apenas 7 mil pessoas confirmaram presença até o momento — e trata-se do evento nacional.

Pior do que o MBL é a situação política do Vem pra Rua.

Principal articulador das manifestações, até o momento o grupo não se pronunciou sobre as denúncias em relação ao presidente interino.

O mesmo vale para o grupo de extrema-direita Revoltados On Line, que também não tocou no assunto até o momento. E pior: recentemente, o grupo postou em sua página uma publicação em “apoio ao senador Aécio Neves”, amigo e colega do ex-ator pornô Alexandre Frota, um dos principais “articuladores” do grupo. Além de Temer, nesta quarta-feira, o nome do senador tucano também foi citado pelo empresário Sérgio Machado em delação premiada.

Segundo o ex-presidente da Transpetro, Aécio recebeu cerca de R$1 milhão em doação ilegal no ano de 1998. Esse dinheiro, vindo do exterior, foi usado para a campanha eleitoral que o elegeu deputado federal naquele ano.


Texto por Francisco Toledo, co-fundador e fotojornalista da Agência Democratize

By Democratize on June 15, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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