Uma mesa repleta de pessoas, apontando o dedo para cima. Sorrisos e risadas. Todas as atenções na sua imagem, no centro. A realidade do…

Antes herói do impeachment, hoje apenas uma mesa vazia para Eduardo Cunha

Antes herói do impeachment, hoje apenas uma mesa vazia para Eduardo CunhaUma mesa repleta de pessoas, apontando o dedo para cima. Sorrisos e risadas. Todas as atenções na sua imagem, no centro. A realidade do…


Antes herói do impeachment, hoje apenas uma mesa vazia para Eduardo Cunha

Foto: Lula Marques/Agência PT

Uma mesa repleta de pessoas, apontando o dedo para cima. Sorrisos e risadas. Todas as atenções na sua imagem, no centro. A realidade do “herói do impeachment” hoje é outra. Em coletiva para a imprensa nesta terça-feira (21), uma mesa com cadeiras vazias foi o que restou para o ex-presidente da Câmara dos Deputados.


O bom político é aquele que pode ser usado em seu benefício, defendendo os seus interesses — por mais questionável que seja sua conduta moral.

Foi assim que o Partido dos Trabalhadores e a presidente afastada Dilma Rousseff pensaram, ao se deparar com o deputado Eduardo Cunha (PMDB) quando precisou. Um homem de confiança? Não. Mas uma pessoa que teria a capacidade de articular estratégias de defesa do governo federal.

O amor acabou.

Não demorou e Cunha encontrou novos aliados. Desta vez, ele sabia que poderia contar com eles: seja o então vice-presidente Michel Temer na época, ou até mesmo os meninos do Movimento Brasil Livre. Os tucanos também fazem parte do novo time.

Tá formado, agora é só sorrir pra foto.

Dedos pra cima, sala lotada. Sorrisos e risadas se espalham ao redor da mesa, com cada pessoa querendo aparecer na foto. Vemos a família Bolsonaro, os líderes dos movimentos “anti-corrupção”. O deputado federal e agora ministro interino da Educação, Mendonça Filho (DEM). E no centro, ele: Eduardo Cunha, o novo herói, aquele que seria capaz de colocar o impeachment em prática.

Reprodução/Facebook

Ele sabia que estava servindo apenas para os interesses daquele grupo de pessoas pouco confiáveis.

O PMDB o queria para colocar Michel Temer na presidência. O MBL e os demais grupos a mesma coisa — afinal, a cada dia parece que o grupo de ativistas nada mais é do que uma célula hipster do PMDB. Os tucanos e seus aliados, interessados na queda da imagem do Partido dos Trabalhadores, fazem parte desse novo grupo de amizades de Cunha. Estão de olho nos ministérios, nas políticas neoliberais que podem aplicar e colocar no colo no antigo governo afastado.

Mas Cunha não era besta. Seu interesse pelo impeachment era o mesmo que o ex-ministro interino Romero Jucá tinha. O mesmo interesse que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB) também tem. É estancar a Lava Jato, impedir o avanço da operação da Polícia Federal contra seu partido e aliados.

E o impeachment aconteceu.

Dilma foi afastada, pela Câmara e pelo Senado. O povo na rua celebrou, e depois não gostou do que viu.

Deputada que dedicava o impeachment ao seu marido, que dias depois foi preso pela polícia por corrupção na prefeitura de uma cidade de seu estado. Gravações onde homens de confiança do presidente interino debatem sobre como acabar com a Lava Jato. Delações comprometendo o próprio Michel Temer e aliados tucanos.

Não conseguiram estancar a sangria.

Agora, descartável, Cunha era carta fora do baralho. Ele fez o que foi possível ter feito. Nada mais.

Hoje, em uma mesa branca e vazia, com apenas cadeiras ao seu redor, o ex-presidente da Câmara dos Deputados realizou uma entrevista coletiva com a imprensa. Os antigos amigos fugiram. Os sorrisos foram embora, as risadas ficaram para trás.

Agora era cada um por si.

Mas Cunha ainda resiste — e persiste. Disse em coletiva que não praticou nenhum crime, e que não pretende renunciar. Arcou sozinho com os custos do aluguel do espaço reservado em um hotel em Brasília. Nenhum abraço, nenhum colega, nada.

Isolado, não pelas acusações que sofre.

Mas sim por já ter cumprido seu papel no jogo político.

A direita, que tanto afirma não ter “corrupto de estimação”, na verdade mente. Ela abraça o corrupto no momento em que necessita. Precisa dele e não esconde seu apoio. Momento para selfie. Outro para entrada nas galerias do Congresso em plena votação do impeachment na Câmara. Mas, depois de ter feito o que deveria, o corrupto de estimação foi descartado.

Resta procurar outro.

E olhando para o atual governo, o que não falta é opção.


Texto por Francisco Toledo, co-fundador da Agência Democratize

By Democratize on June 21, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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