Em mais uma manifestação promovida por professores e estudantes nesta quarta-feira (6) no Rio de Janeiro, a ação desproporcional da polícia…

Antes de começar os Jogos Olímpicos, a polícia prende jornalistas no Rio

Antes de começar os Jogos Olímpicos, a polícia prende jornalistas no RioEm mais uma manifestação promovida por professores e estudantes nesta quarta-feira (6) no Rio de Janeiro, a ação desproporcional da polícia…


Antes de começar os Jogos Olímpicos, a polícia prende jornalistas no Rio

O fotógrado Kaue Pallone, do Democratize, detido pela polícia | Foto: Bárbara Dias/Democratize

Em mais uma manifestação promovida por professores e estudantes nesta quarta-feira (6) no Rio de Janeiro, a ação desproporcional da polícia foi presente. Estudantes foram perseguidos pela PM em direção a Central do Brasil. Alguns jovens foram abordados e detidos, e na ação da polícia o fotógrafo Kaue Pallone, da equipe do Democratize no Rio, foi preso apenas por estar filmando a ação.


A menos de um mês das Olimpíadas, o Rio de Janeiro está endurecendo a perseguição contra jornalistas, midialivristas e comunicadores sociais.

Na última terça (5), após um protesto contra as jogos, que ocorreu na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ), manifestantes foram realizar um ato de “catracaço” na estação de metro da Uruguaiana e foram agredidos pelos seguranças do Metro Rio.

Jornalistas que estavam na estação, tentaram registrar a abordagem inadequada e foram agredidos também e impedidos de realizarem seu trabalho. Com a chegada da polícia foram conduzidos a 5ª Delegacia Policial, junto com os estudantes que tentaram realizar o “catracaço”, e sem acusação nenhuma foram liberados posteriormente pelo Delegado.

Foto: Bárbara Dias/Democratize

Na reportagem “A 30 dias das Olimpíadas, seguranças do Metrô Rio reprimem jornalistas” é possível assistir como de fato ocorreu toda a repressão e agressões, contra os estudantes, jornalistas e até mesmo contra passageiros que transitavam na estação. Uma senhora desmaiou e um estudante teve crise convulsiva, um cenário de barbárie e repressão desproporcional.

Na noite de ontem (6), logo após um grande ato que reuniu aproximadamente 2000 pessoas, cujo protesto era contra o sucateamento da educação estadual, contra a privatização do SUS, a favor do emprego e contra as Olimpíadas, que seguiu da Igreja da Candelária e teve seu fim na Prefeitura do Rio de Janeiro, estudantes que dispersaram sentido Central, foram seguidos pela polícia, numa nítida tentativa de repressão.

Vários jornalistas de diversos veículos e da equipe da Agência Democratize Rio, seguiram o grupo de estudantes e policias, certos de que haveria tentativa de prisões e criminalização do movimento, o que de fato ocorreu. A polícia conseguiu pegar cinco estudantes, que foram autuados por destruição do patrimônio público, durante a abordagem de um deles, jornalistas começaram a registrar a ação da polícia, que aos gritos começaram a intimidar o trabalho da imprensa.

Foto: Bárbara Dias/Democratize

Aos berros de “parem de filmar”, policiais cercearam o direito dos jornalistas, quando sem motivo aparente o fotógrafo da Agência Democratize, Kaue Pallone, que filmava a abordagem com uma câmera GoPro levou voz de prisão e foi levado ao carro da polícia. Demais jornalistas, intimidados pela prisão arbitrária, baixaram suas lentes, pois, certamente seriam presos também. Kaue junto com o estudante detido foi encaminhando a 5ª DP.

Lá chegando, o tenente-coronel Maurício Silva, comandante do 5º Batalhão de Polícia, informou que o manifestante foi preso por estar depredando patrimônio público e que o fotógrafo foi preso por “atrapalhar a prisão”. Os detidos, foram encaminhados a Cidade da Polícia, que fica no bairro do Jacarezinho, bem longe da região onde aconteceu a ocorrência, e foram assistidos por advogados ativistas.

Acreditamos que a tendência é que esse aumento da censura esteja apenas começando, e muito provavelmente, por conta da proximidade com os jogos Olímpicos. Num cenário surreal de crise político-econômico e social em que ocorrerão os jogos olímpicos, a população do Rio de Janeiro paga a conta dessa festa com seu suado dinheiro e com a limitação de seus direitos civis. Quem se indignar e tentar protestar contra a gastança será duramente reprimido, e os jornalistas, sobretudo os independentes que tentarem levar informações reais sobre a atual situação caótica, da Cidade e do Estado, também.

Foto: Bárbara Dias/Democratize

Em Brasília, ainda ontem (6) na calada da noite foi aprovado um projeto de lei que prevê que militares que atuarem na segurança dos Jogos sejam julgados pela Justiça Militar, isso na prática dará pelos poderes as forças de repressão de atuarem da maneira como quiserem, sem constrangimento algum, pois , dentro do corporativismo de um julgamento militar, eles certamente poderão nem ser punidos por qualquer exagero ou crime que cometam.

Rio olímpico, Rio de excepcionalidade e Rio de restrição de direitos civis e da liberdade de imprensa. Eles não querem que você saiba o que de fato ocorre por aqui, mas a experiência nos mostra que quanto maior for a repressão e maiores forem as tentativas de calarem as vozes do povo e da imprensa, mais elas se amplificam, não adianta. O Rio olímpico irá incendiar-se, e não será com o fogo da tocha.

Veja mais fotos, por Felipe Mota, da Agência Democratize:


Texto e reportagem por Bárbara Dias, da Agência Democratize no Rio de Janeiro

By Democratize on July 7, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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