“Mas, a direita não tem corrupto de estimação”. Será mesmo? O famoso ‘japonês da Federal’ foi preso nesta quarta-feira (8), e mostrou ao…

Algumas pessoas e políticos que quebraram a cara fazendo selfie com o “Japonês da Federal”

Algumas pessoas e políticos que quebraram a cara fazendo selfie com o “Japonês da Federal”“Mas, a direita não tem corrupto de estimação”. Será mesmo? O famoso ‘japonês da Federal’ foi preso nesta quarta-feira (8), e mostrou ao…


Algumas pessoas e políticos que quebraram a cara fazendo selfie com o “Japonês da Federal”

Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

“Mas, a direita não tem corrupto de estimação”. Será mesmo? O famoso ‘japonês da Federal’ foi preso nesta quarta-feira (8), e mostrou ao brasileiro mais uma vez que a política institucional não passa de um verdadeiro carnaval de horrores, que não poupa ninguém.


Muitos foram pegos de surpresa com a prisão do agente federal Newton Ishii, mais conhecido como o “Japonês da Federal”. Mas quem conhecia o seu histórico antes de se tornar uma “celebridade da Lava Jato” já sabia que uma hora isso acabaria acontecendo.

Segundo as informações da própria Polícia Federal, o agente Newton Ishii foi preso por facilitar o contrabando de produtos na região da fronteira do Brasil com o Paraguai e outros países. Esse caso é investigado pela polícia desde 2003.

O problema é que muitos simplesmente não dão bola pra isso.

O Instituto Liberal de São Paulo, por exemplo, afirma que “crime sem vítima não é crime”, como se sonegação fosse algo aceitável em um país onde são os impostos que determinam a qualidade da educação, da saúde pública e da assistência social para as classes mais pobres, que só existem por causa da desigualdade social promovida pelo sistema econômico atual — defendido por eles.

Já outros contam com um pouco mais de vergonha na cara de admitir isso.

O sósia do “Japonês da Federal” e Kim Kataguiri, do MBL | Arquivo Pessoal

Por exemplo, é o caso do Movimento Brasil Livre, do rapaz da foto ao lado — Kim Kataguiri.

Por diversas vezes, o grupo de ativistas liberais afirmam que “não possuem nenhum corrupto de estimação”. Foi assim quando o deputado e ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), foi afastado de seu cargo após diversas denúncias de corrupção e sonegação de impostos, com uma conta secreta na Suíça.

No fundo, Kataguiri e seus amigos consideram o crime praticado por Cunha como “aceitável”. Mas não podem falar isso, afinal eles representam (ou ainda tentam representar) uma parcela da população indignada com a corrupção generalizada do sistema político e econômico brasileiro.

Agora, com a prisão de Newton Ishii, mais uma vez o MBL tentou reafirmar não ter nenhum “corrupto de estimação”. Mas antes disso tudo acontecer, era o Japonês da Federal que estampava memes e publicações do grupo até pouco tempo atrás. Sobrou tempo até para uma selfie entre Kataguiri e um sósia de Newton.

Mas, para a sorte do líder do MBL, não foi apenas ele que caiu no conto do Japonês da Federal.

Outros políticos e “celebridades do impeachment” acabaram caindo no próprio discurso moralista.

É o caso do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSC), filho do também deputado Jair Bolsonaro — ambos do mesmo partido. Neste caso não foi apenas uma selfie: foram várias.

Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Quando visitou o Congresso Federal, o Japonês da Federal atraiu a atenção e olhares da mídia e dos deputados. Mas quem mais grudou no agente foi a família Bolsonaro. O próprio Jair aparece em várias selfies ao lado de Newton Ishii, dando risadas e imaginando a reação de seus seguidores com as fotos nas redes sociais.

Mas foi Eduardo que exagerou na piada. E acabou pagando o preço por isso.

Foram tantas selfies com o agente Newton Ishii que fica agora impossível imaginar qualquer crítica partindo do deputado contra o Japonês da Federal: no final das contas, parece ser seu “corrupto de estimação” sim.

Sabe quando você tem um cachorrinho ou um gato e adora colocar fotos dele no seu Instagram ou Facebook? Então. Foi exatamente essa a relação entre Eduardo Bolsonaro e o agente Newton.

Reprodução/Facebook

O mico já foi feito.

No final das contas, isso serve apenas para alertar a sociedade civil sobre a chamada “luta contra a corrupção”.

Trata-se de um jogo moralista e de duas caras, tradicional da política brasileira, onde um grupo político e econômico resolve se apoiar em uma bandeira populista para conseguir seguidores e tentar ao máximo danificar o trabalho de seus inimigos. Antes foi o Partido dos Trabalhadores nessa posição, agora é a direita. Ambos possuem uma coisa em comum: nenhum deles quer realmente mudar o sistema falido no qual o Brasil se encontra, seja politicamente ou economicamente. Pois sabem que mudar esse sistema significa abrir mão de privilégios.

Agora, qual será o próximo corrupto de estimação atrás das grades?

By Democratize on June 9, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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