A “Bancada do Boi” no Congresso já deixou claro para o vice-presidente Michel Temer que o apoio ao futuro governo depende de “mediações…

Além dos cortes em benefícios sociais, Temer deve usar repressão no campo

Além dos cortes em benefícios sociais, Temer deve usar repressão no campoA “Bancada do Boi” no Congresso já deixou claro para o vice-presidente Michel Temer que o apoio ao futuro governo depende de “mediações…


Além dos cortes em benefícios sociais, Temer deve usar repressão no campo

Foto: Fernando DK/Democratize

A “Bancada do Boi” no Congresso já deixou claro para o vice-presidente Michel Temer que o apoio ao futuro governo depende de “mediações” das Forças Armadas nos conflitos agrários.

O governo de Michel Temer nem começou, mas parece que o vice-presidente já começa a ceder posições e pactos com grupos políticos para manter uma estabilidade não encontrada pela atual presidenta, Dilma Rousseff.

Primeiro com o mercado: Temer se reuniu nesta semana com o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo, Paulo Skaf. O objetivo da reunião foi traçar uma aliança de apoio ao futuro governo do PMDB, com a condição de Temer não aumentar impostos e muito menos bancar a CPMF. Ainda na economia, o vice-presidente traçou acordos com a oposição tucana para acelerar processos de privatizações pelo país, focando na infra-estrutura — aeroportos, rodovias e portos. Outro grupo é o Movimento Brasil Livre: Temer prometeu cortar gastos do governo federal para conciliar um ambiente estável nas ruas, evitando manifestações. Programas sociais devem sofrer ajustes — o que não significa acabar, mas sim dificultar o acesso.

Mas a nova vítima da vez são os sem-terra.

Segundo informações do jornalista do UOL, André Shalders, a chamada “Bancada do Boi” solicitou ao vice-presidente que a partir do momento em que ele assuma o cargo, coloque as Forças Armadas para mediar conflitos por terras no país.

Assim como os demais grupos, essa é uma das exigências que Temer deve enfrentar no caminho para conseguir um governo estável no Congresso.

A Frente Parlamentar da Agropecuária deve lançar um documento público nos próximos dias, com essa e outras demandas. As propostas serão entregues ao vice-presidente.

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Atualmente, a violência no campo ainda é uma realidade no Brasil, por conta do uso de força da Polícia Militar nos estados onde ocorrem, e também de criminosos que são geralmente contratados por fazendeiros para “resolver conflitos” e evitar invasões. Só em 2014, mais de 36 pessoas morreram em conflitos agrários no Brasil. O estado do Pará contabiliza o maior número de assassinatos, com 9 vítimas.

Para José Batista Afonso, advogado do CPT (Comissão Pastoral da Terra) Marabá, “isso é resultado de um processo de violência permanente no Pará”, por conta principalmente da “expansão do agronegócio na Amazônia”.

“A raiz do problema está na falta de democratização do acesso à terra. Enquanto não houver a reforma agrária, esses conflitos tendem a aumentar”, argumenta Alberto Pimentel, coordenador da Sociedade de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH).

Neste mês, dois integrantes do MST morreram e ao menos seis ficaram feridos durante confronto com a Polícia Militar no Paraná. Os sem-terra acusam a Polícia Militar de efetuar uma emboscada contra os militantes. A ação teria ocorrido com a ajuda de “jagunços”, homens pagos por fazendeiros. O terreno ocupado pelo MST na região é da empresa Araupel, de reflorestamento e beneficiamento em madeira, e está ocupado desde julho de 2014.

Organizações e entidades como a Anistia Internacional, a Comissão Pastoral da Terra, o PSOL e o Movimento Passe Livre prestaram apoio e solidariedade aos sem-terra por conta do caso, que virou notícia internacional. Nos últimos dias, o Ministério Público solicitou novas diligências sobre a morte dos sem-terra no Paraná.

By Democratize on April 26, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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