Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

Alckmin usa tática de guerra para eliminar ocupações em São Paulo

Utilizando táticas de guerra, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) conseguiu eliminar a maioria das ocupações nas escolas e institutos de ensino em São Paulo, em uma mobilização dos estudantes contra a PEC 241. Nesta quinta-feira (3), os secundaristas ocuparam o Centro Paula Souza por apenas uma hora – até que a PM invadiu o local, agrediu e prendeu os jovens.

Policiais infiltrados no movimento estudantil, monitoramento de conversas e chats nas redes sociais, e uma tática de invasão rápida contra as ocupações. Esse tem sido o método de articulação da Secretaria de Segurança Pública em São Paulo para brecar a mobilização dos estudantes contra a PEC 241, algo que se tornou nacional após a ocupação de mais de mil escolas estaduais, e agora centenas de universidades públicas.

O motivo dessa rápida reação do Estado é para não permitir que São Paulo se torne um “novo Paraná”. No vizinho, também governado por um tucano – Beto Richa -, mais de 600 escolas estaduais haviam sido ocupadas, além de uma greve dos professores da rede estadual. Foi o suficiente para balançar o já em eterna crise governo de Richa, que após muita criminalização e ataques contra as ocupações – inclusive com apoio de grupos radicais de extrema-direita – conseguiu enfraquecer a mobilização, e agora conta com reintegrações de posse em todas as escolas.

Na quinta-feira (3), quando estudantes tentaram ocupar o Centro Paula Souza na região do Centro da capital, a ação policial mostrou claramente sua face de guerra contra os secundaristas.

A ocupação durou cerca de uma hora. Um pouco mais de 30 estudantes estavam no local, que já havia sido ocupado neste ano contra a Máfia da Merenda. Junto dos jovens, alguns jornalistas e fotógrafos da mídia alternativa.

Não demorou muito, nem tempo suficiente para os estudantes armarem suas barracas, e a Polícia Militar já estava na porta do Centro Paula Souza. Do lado de fora, o já tradicional ônibus da PM, onde costuma levar presos em massa. O cenário estava montado.

Foi então que, sem aviso prévio ou qualquer tentativa de diálogo, policiais invadiram o CPS, agrediram estudantes e levaram todos presos – inclusive um fotógrafo da Mídia NINJA, e um jornalista da Revista Vaidapé. Ambos se apresentaram como imprensa – mas mesmo assim foram detidos.

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Os estudantes foram levados para o 2ºDP, onde manifestantes acompanhavam do lado de fora exigindo a liberação dos jovens.

Tem sido comum esse tipo de ação da Polícia Militar. Mês passado, a Escola Estadual Caetano de Campos ao lado da Praça Roosevelt ficou ocupada por menos de 24 horas, quando a PM pressionou os estudantes até o momento em que os jovens sairam de forma voluntária do prédio. O padrão tem sido o mesmo em vários pontos do estado, até mesmo em cidades diferentes.

Além de utilizar informantes infiltrados, seja no movimento estudantil como também em chats e conversas nas redes sociais e aplicativos, o governador Geraldo Alckmin ainda adota uma tática inspirada no Blitzkrieg, da Alemanha Nazista.  O blitzkrieg foi uma doutrina militar em nível operacional que consistia em utilizar forças móveis em ataques rápidos e de surpresa, com o intuito de evitar que as forças inimigas tivessem tempo de organizar a defesa.

Ou seja, para eliminar as ocupações, o governo evita dar tempo de articulação e mobilização para os estudantes. Em 24 horas no máximo, mobiliza sua força de repressão para desarticular uma ocupação, sem tempo dos jovens se estabelecerem na escola, ou deles criarem uma rede de apoiadores externos, ou até mesmo receberem atenção suficiente da mídia para servir de “exemplo” para outros estudantes realizarem ocupações similares em suas escolas.

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize
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Mas não é apenas com essa tática relâmpago.

Alckmin também tem utilizado da pressão psicológica e física contra os jovens para evitar a continuidade da mobilização. Em outras tentativas de ocupação no mês passado, policiais chegaram a ameaçar estudantes de morte com frases como “se isso fosse uma ditadura você estava morto”, até mesmo casos de homofobia e ódio. Sem mencionar as agressões físicas.

Desta forma, o governador tucano consegue desarticular a mobilização secundarista no estado – mas não impede que os jovens se organizem.

Por exemplo, tendo em vista a dificuldade em ocupar as escolas neste ano no estado, jovens já estão mobilizando manifestações de rua para levar a pauta da PEC 241 e da MP do Ensino Médio para as ruas.

Resta saber se a tática de guerra de Geraldo Alckmin será utilizada também nestes casos, o que tornaria a situação insustentável para os movimentos sociais, estudantis e de Direitos Humanos em São Paulo.

Alckmin Utiliza Tática De Guerra Contra Estudantes Em SP

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