Manifestantes detidos em ato contra a privatização da CEDAE. Foto: Wagner Maia/Democratize

Água privatizada e manifestantes presos no Rio

A votação que autorizaria a privatização da CEDAE (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro), prevista para acontecer nessa semana,  foi realizada às pressas pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Após a votação, manifestantes foram duramente reprimidos pela polícia, que prendeu 24 pessoas.

A votação que não tinha dia definido e ocorreria ao longo dessa semana, foi colocada pelo presidente da assembleia Jorge Picciani (PMDB) na ordem do dia, logo pela manhã na votação das 11:00. Essa manobra pegou a todos de surpresa: trabalhadores da CEDADE servidores públicos de outras categorias, estudantes, movimentos sociais e pessoas que apoiam a luta contra a privatização. Houve ainda uma tentativa de convocação urgente, via redes sociais e mobilização para a realização de um ato em frente à Alerj, com objetivo de pressionar os deputados.

Não adiantou, a aprovação para a privatização da CEDAE ocorreu numa reunião que durou pouco mais de uma hora entre os líderes dos partidos, e com rejeição de todas as propostas de emendas apresentadas pelos deputados. A venda foi aprovada com 41 votos a favor e 28 contra, os próximos passos serão a discussão de como será a forma dessa privatização.

Após a votação a toque de caixa, os trabalhadores e demais manifestantes se concentravam em frente a Alerj, decidiram seguir em marcha até o prédio sede da CEDAE, situado na Avenida Presidente Vargas, uma das principais vias do centro do Rio, chegaram a realizar a interdição total da avenida em todos os sentidos, a cidade parou para ver a revolta do povo passar…

Choque age com truculência e prende estudantes. Foto: Wagner Maia/Democratize
Choque age com truculência e prende estudantes. Foto: Wagner Maia/Democratize

Durante a marcha, as palavras de ordem que vinham do carro de som eram contra a privatização e o governo corrupto do PMDB, do qual um dos líderes encontra-se preso em Bangu 8: o ex-governador do Rio, Sergio Cabral. As palavras em tom de revolta apontavam à população, os verdadeiros responsáveis por todo esse processo de crise financeira, política e social, a qual vive o Rio, e que agora querem impor ao povo e aos trabalhadores a conta.

Por volta das 15:00,  na altura do prédio da CEDAE policiais que acompanhavam à distância a marcha, começaram a repressão com bombas e tiros de balas de borracha. Os manifestantes revidaram lançando objetos. O batalhão de choque começou um verdadeiro cerco aos manifestantes no entorno do prédio da companhia de águas.

Polícia Militar prendeu 24 pessoas que participavam de ato

Após o cerco, os Policiais do Batalhão de Choque prenderam 17 pessoas, a maioria estudantes, dentre eles até alguns menores de idade, em frente a Cedae, alegando que os mesmos portavam pedras portuguesas para arremessarem na polícia. Foram obrigados a ficarem deitados no chão para revista, com as mãos na cabeça em meio a sacos de lixo e carros em conserto em uma oficina mecânica.

Após a chegada de outros manifestantes que tentaram pressionar pela liberação dos detidos, o choque lançou bombas de gás e deu tiros de balas de borracha a queima roupa, ferindo inclusive uma advogada que estava acompanhando o caso.  Informações de há detidos em várias delegacias na cidade: são 24 detidos, 19 pessoas que estão na 19°DP, 2 na 9°DP, 2 na 17° DP e uma na 6° DP; as pessoas que foram detidas e conduzidas para a 19° estão sendo indiciadas por desacato. Advogados ativistas estão acompanhando os detidos.

Água Privatizada E Manifestantes Presos No Rio

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