Uma possível futura delação de Eduardo Cunha (PMDB) começa a gerar tensão na base que sustenta Michel Temer. A tentativa de vender a imagem…

Afastamento de Cunha “preocupa” Temer e tucanos

Afastamento de Cunha “preocupa” Temer e tucanosUma possível futura delação de Eduardo Cunha (PMDB) começa a gerar tensão na base que sustenta Michel Temer. A tentativa de vender a imagem…


Afastamento de Cunha “preocupa” Temer e tucanos

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Uma possível futura delação de Eduardo Cunha (PMDB) começa a gerar tensão na base que sustenta Michel Temer. A tentativa de vender a imagem de um possível alívio por parte do vice-presidente é completamente falsa e equivocada: ninguém quer que Cunha fale o que não deve. Nem os tucanos.

Imaginem só.

Até pouco tempo atrás, o cenário era completamente favorável para o vice-presidente Michel Temer (PMDB). O impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT) era amplamente defendido pela população, e a Câmara dos Deputados havia acabado de aprovar o andamento do processo, no dia 17 de abril.

O que mudou de lá pra cá?

Bem, nada. Mas aconteceu a política. E a política não poupa ninguém.

Muito menos o idealizador e “líder” do impeachment: o então presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB).

Nesta quinta-feira (05), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki pediu o afastamento de Cunha de seu mandato na Câmara, e claro, posteriormente do seu cargo de presidente da Casa. A maioria do STF seguiu a decisão de Teori, algumas horas depois.

Teoricamente, isso poderia ser considerado um “alívio” para Michel Temer e toda base que sustenta seu eventual governo.

Mas não é.

Da mesma forma que a queda de adesão popular ao impeachment de Dilma Rousseff também é relevante, começar o mandato com uma possível delação premiada por parte de Eduardo Cunha na Lava Jato significaria um verdadeiro terremoto político em Brasília.

Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, o vice-presidente viveu horas de especulações sobre qual poderia ser o impacto se, por exemplo, pressionado pela Justiça, Cunha aceitasse a delação.

Apesar da grande mídia vender a imagem de um “otimismo aliviado” de Temer, isso não existe. A Folha diz: “A decisão de Toeri contaminara todas as conversas já agendadas por Temer. Um grupo de parlamentares do chamado ‘centrão’, aliado a Cunha, assinou uma nota de solidariedade ao peemedebista na varanda do Palácio do Jaburu. O vice foi chamado a comentar o texto. Recusou-se” — o que mostra claramente o medo de Temer ser afetado pela imagem de Cunha.

Mas se existe algo que possa servir de lição para o vice-presidente é justamente abandonar Cunha nos momentos mais complicados.

Foi isso que Dilma Rousseff e o Partido dos Trabalhadores fizeram com ele.

E olha só como ele deu o troco.

A verdade é que Temer vive um verdadeiro dilema: se posicionar a favor de Cunha publicamente, mantendo seu eventual governo vivo e com fôlego, mas perdendo amplamente o pouco apoio que tem da população; ou dar as costas ao ex-presidente da Câmara, e assim correr o risco de uma possível delação por parte de Cunha, mas mantendo o mínimo de dignidade com a opinião pública.

Foto: Alice V/Democratize

A decisão de Teori também já causou alguns estragos nos bastidores do PSDB em Brasília, segundo fonte direta do Congresso.

Enquanto uma parte do partido na Câmara sente que essa é a oportunidade de colocar um representante do partido na presidência da Casa (que no caso seria Imbassahy), alguns deputados do Rio e de São Paulo não gostaram nada da decisão de afastamento de Cunha.

Um deles é o deputado Carlos Sampaio.

Não por acaso, Janot havia pedido ao STF para investigar seu nome, junto com o do senador Aécio Neves (PSDB) e o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB).

A Procuradoria Geral da República quer apurar tentativas de influenciar a CPI dos Correios, em 2005. Segundo consta, Cunha poderia, em uma possível delação, “soltar alguns podres e bagunçar tudo” — palavras de um funcionário de um dos deputados tucanos na Câmara.

E agora?

Quem sabe, até o dia 11 (data em que o Senado decidirá se Dilma será ou não afastada do seu cargo) deste mês mais coisas acabem acontecendo — o que torna ainda mais turbulento o clima e o destino político do país.

By Democratize on May 6, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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