Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

A violência da polícia de Geraldo Alckmin chegou na ONU

Veja alguns casos registrados de 2015 pra cá, que levaram a denúncia da ONG Conectas contra o governador Geraldo Alckmin durante reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, por causa da violência desproporcional da Polícia Militar em protestos.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), foi formalmente denunciado no Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta segunda-feira (19), pela ONG Conectas. Segundo a instituição, a denúncia ocorre após a série de manifestações contra o presidente Michel Temer (PMDB), que tem sido alvo fácil da violência policial em São Paulo: “No estado de São Paulo, onde os protestos de rua têm sido os mais numerosos, o governador Geraldo Alckmin reprimiu com truculência os manifestantes. Vários manifestantes foram feridos”, introduz o texto.

A ONG citou os principais casos deste ano envolvendo a truculência policial, como o ocorrido com a estudante Deborah Fabri, de 19 anos, que ficou cega de um olho após ter sido atingida por estilhaços de uma bomba de efeito moral.

Outro aspecto apontado pelo relatório da ONG foi a prisão dos 26 estudantes, sendo oito menores de idade, horas antes do protesto e sem qualquer justificativa. A Conectas ainda pontuou quem causou as detenções, mencionando o capitão do Exército que estava infiltrado no grupo: “Para esse operativo, um oficial do Exército se infiltrou num grupo de manifestantes ocultando sua identidade. Essa prática remete às épocas mais obscuras da história de nossa região”.

Mas o que levou o governador tucano até o dia da denúncia?

Quais foram os casos mais importantes registrados de violência policial em São Paulo no último ano?

O Democratize fez uma seleção dos casos mais graves.

A violência contra os secundaristas

Foto: Felipe Malavasi/Democratize

No final de 2015, os episódios mais graves de violência policial foram registrados contra os estudantes secundaristas, que ocuparam mais de 200 escolas ao redor do estado de São Paulo contra o projeto de reorganização escolar, promovido pelo governador Geraldo Alckmin.

Por causa das prisões sem justificativa e da violência desproporcional, a popularidade de Alckmin caiu gravemente.

Foi o suficiente para ele se render e suspender o projeto de reorganização escolar, o que se tornou sua primeira grande derrota como governador de São Paulo. Sua decisão acabou resultando na demissão de seu então secretário de Educação, Herman Voorwald.

A violência contra o Movimento Passe Livre

Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

Após a derrota para os secundaristas, Alckmin não poderia mais perder nas ruas.

Porém, as manifestações do Movimento Passe Livre contra o aumento das passagens na tarifa do ônibus em metrô, em janeiro deste ano, indicavam que não seria fácil.

Na primeira manifestação, cerca de 30 mil pessoas. Terminando, claro, em repressão.

Mas o pior estava por vir. Para eliminar de vez a mobilização contra a tarifa, Alckmin utilizou do seu então secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes, para distorcer aspectos da Constituição Nacional, em detrimento da liberdade de manifestação no estado. Agora, o MPL só poderia se mobilizar caso avise a Polícia Militar e a SSP sobre seu trajeto, no mínimo horas antes do ato acontecer.

Obviamente isso não aconteceu. O resultado foram dezenas de feridos, e jornalistas/fotógrafos perseguidos pela polícia. Mais de 30 profissionais da imprensa foram agredidos e sofreram lesões durante as manifestações do MPL.

Mais agressões contra estudantes pela merenda

A jornada de lutas pela merenda também resultou em violência policial neste ano.

Por causa da falta de merenda nas ETECs, estudantes se mobilizaram com manifestações e mais de 20 ocupações ao redor do estado, incluindo o Centro Paula Souza, e posteriormente a Alesp (Assembleia Legislativa).

Além de algumas manifestações terminarem em repressão policial, a reintegração de posse do Centro Paula Souza foi marcada pela grave atuação da Polícia Militar contra os jovens estudantes.

Vários alunos foram tirados do local arrastados pelo chão, enquanto ouviam ameaças por parte de PMs.

A violência nos protestos contra Temer

Foto: Fernando DK/Democratize

Agora, foram os protestos contra o presidente Michel Temer que levaram a denúncia formal contra o governador de São Paulo para as Nações Unidas.

Muito além da repressão policial, uma verdadeira perseguição e caçada contra manifestantes começou desde a primeira manifestação, no dia 29 de setembro — data em que Dilma Rousseff discursava no Senado Federal.

A Polícia Militar não permitiu a caminhada dos manifestantes em frente ao prédio da Fiesp, atacando com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo.

Nos dias seguintes, o padrão continuou. E a violência também.

Neste período, a Polícia Militar prendeu sem justificativa dezenas de manifestantes, principalmente secundaristas e jovens menores de idade. O caso mais conhecido, como citado acima, envolveu 26 estudantes que foram apontados como possíveis vândalos por causa da ação de um infiltrado do Exército.

Além da estudante Deborah Fabri, que ficou cega de um olho, a repressão policial também atingiu a imprensa — mais uma vez.

Fotógrafos foram alvo de bala de borracha, estilhaços de bomba de efeito moral, além de cassetetes da polícia. Enquanto Gustavo Oliveira, da Agência Democratize, ficou ferido na perna, outros tiveram casos ainda mais graves: Fernando Fernandes foi atingido por uma bala de borracha na boca, enquanto o fotógrafo Vinicius Gomes foi agredido por policiais, que quebraram sua câmera e ainda o levaram preso.

A ação desproporcional da PM nas manifestações daquela semana também afetaram o comércio e a população local. No dia 4, bares e restaurantes se tornaram alvo da polícia por causa da concentração de pessoas. Em um bar, policiais chegaram a disparar spray de pimenta contra os frequentadores.

Posts Relacionados

On Top
error: Para reproduzir o conteúdo do Democratize, entre em contato pelo formulário.
%d blogueiros gostam disto: