Nesta sexta-feira (24), estudantes da Universidade de São Paulo ocuparam as ruas e questionaram: por que a USP não tem cotas? De fato…

“A USP é o retrato do que é o racismo em São Paulo”

“A USP é o retrato do que é o racismo em São Paulo”Nesta sexta-feira (24), estudantes da Universidade de São Paulo ocuparam as ruas e questionaram: por que a USP não tem cotas? De fato…


“A USP é o retrato do que é o racismo em São Paulo”

Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

Nesta sexta-feira (24), estudantes da Universidade de São Paulo ocuparam as ruas e questionaram: por que a USP não tem cotas? De fato, trata-se de uma das poucas universidades estaduais que não aderiu à reserva de vagas, priorizando o que chamam de “meritocracia”.


Das 38 universidades estaduais, apenas 8 não aderiram ao sistema de cotas até o momento. E a USP é uma delas.

Uma das maiores universidades da América Latina, consagrada por ter como alunos e professores pessoas que ficaram na história política e social do país, hoje enfrenta o dilema do atraso.

Recentemente, tanto a USP quanto a Unicamp (Universidade de Campinas) decidiram aderir ao sistema de bônus, quando alunos de baixa renda recebem uma pontuação extra nas provas do vestibular — até 15% no caso da USP, desde que nunca tenham estudado em escola particular. O resultado disso? Cerca de 32% dos estudantes da USP aprovados no vestibular de 2014 saíram do ensino público. Com isso, a quantidade de pretos, pardos e indígenas subiu de 14% para apenas 17% do total de alunos.

Os números de aprovados no processo seletivo da FUVEST em 2016 dizem mais: os números “mostram que os alunos pretos, indígenas, periféricos e trabalhadores estão excluídos do processo de seleção por não condizerem ao perfil do jovem branco, estudante de escola particular, com renda acima de 5 salários mínimos aprovados aos montes, anualmente para a maioria dos cursos da Universidade de São Paulo”, diz o manifesto do grupo ‘Porque a USP não tem cotas?’, que realizou uma manifestação nesta sexta-feira (24) em São Paulo para denunciar o segregacionismo da reitoria e da direção da universidade.

Tanto a reitoria quanto o próprio governo do estado de São Paulo acreditam que a USP deve seguir o método “meritocrático”, indo pelo lado oposto da maioria das universidades estaduais e de todas as outras federais do Brasil.

“Sobretudo, é a continuidade do enfrentamento ao estado mais racista do país, que é o estado de São Paulo, que tem o seu espaço elitizado em saber que a USP é o retrato do que o estado brasileiro, do que é o racismo em São Paulo”, disse ao Democratize o ativista Douglas Belchior, que também cursou a universidade.

Segundo levantamento feito pelo portal G1 em 2015, não houve calouros pretos em 6 dos 10 cursos mais concorridos da Fuvest naquele ano. Na época, considerando todos os mais de 10 mil calouros que ingressaram na universidade naquele ano, o número de calouros que se autodeclaram pretos cresceu de 3,2% para apenas 3,5%.

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

Mas para Belchior, o momento é de virar o jogo.

“Mas eu acho que nós estamos vivendo em um momento novo, momento em que a própria comunidade, com os universitários, os estudantes e os funcionários, estão como nunca empenhados nessa luta, então não é só uma luta de fora, é uma luta de dentro, e a galera tá de parabéns por isso”, disse o ativista durante o ato nesta sexta-feira, que começou na região do Largo da Batata e caminhou até a Cidade Universitária, na USP (zona oeste de São Paulo).

By Democratize on June 27, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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