(Fachada do imóvel localizado na rua Amaral Gurgel, 344; imóvel pertence à Santa Casa de Misericórdia - Foto; Daniel Arroyo)

A Santa Casa de São Paulo gasta dinheiro com imóveis abandonados, apesar da crise financeira

Segundo o chefe da segurança da empresa “Cofre Seguro”, a Santa Casa tem pelo menos seis imóveis na região central da cidade de São Paulo sendo monitorados por alarmes eletrônicos. Os imóveis, no entanto, estão abandonados e não têm função social ou qualquer utilidade à Santa Casa de Misericórdia.

Apesar de possuir dívidas da ordem de quase 1 bilhão de reais (segundo reportagem do portal G1), a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo conta com pelo menos 6 imóveis abandonados na região central da cidade. A empresa “Cofre Seguro” faz monitoramento e ronda de motos em pelo menos destes 6 prédios, no centro da capital paulista.

Os imóveis, segundo os seguranças da empresa terceirizada que protege os patrimônios, foram doados à Santa Casa. Segundo Anderson Pereira, chefe da segurança, há pelo menos dois anos os imóveis são avaliados semanalmente pela empresa, “para checar invasõesquebradeiras”, nas palavras de Anderson.

A Santa Casa funciona no modelo OSS (Organização Social de Saúde), no qual é feita uma parceria entre instituições sem fins lucrativos e governos. O último contrato aditivo entre Santa Casa e o Estado de São Paulo, referente à unidade localizada na rua Martins Fontes, 208, foi da ordem de 20 milhões de reais (confira aqui). O convênio entre o Hospital Central da Santa Casa e o governo do Estado de São Paulo não consta no portal da Transparência do Estado, apesar da própria Santa Casa de Misericórdia disponibilizar, em seu site, o termo aditivo referente à parceria de seu hospital central (você pode conferir aqui). No aditivo não consta o montante financeiro referente a este convênio.

Uma das maiores crises financeiras da Santa Casa na cidade de São Paulo veio à tona em 2014, quando o Hospital Central se viu “obrigado” a fechar seu Pronto Socorro. As investigações apontaram compra de materiais superfaturados, pagamento de supersalários e fraudes em contratações e serviços.

Procurada pela reportagem para falar a respeito dos imóveis, a Santa Casa respondeu:

{{Resposta recebida pela reportagem, após procurar a assessoria de imprensa da Santa Casa de São Paulo}}
{{Resposta recebida, após procurar a empresa Barcelona Soluções Corporativas, responsável pela assessoria de imprensa da Santa Casa de São Paulo}}

Posicionamento Casa de Misericórdia da Santa de São Paulo:

A Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo esclarece que hoje pela manhã ocorreu a desocupação de um seus imóveis, localizado na região central, ocupado por um movimento popular. A instituição ainda ressalta que a reintegração de posse foi acompanhada pela Polícia Militar e transcorreu de forma pacífica.

Democratize havia perguntado se, por exemplo, o dinheiro gasto com a segurança privada não poderia ser utilizado para a manutenção dos serviços de saúde. Esta não foi a única pergunta que ficou sem resposta, no entanto. Por que manter imóveis abandonados, quando se poderia facilmente fazer parcerias com outras entidades e/ou governos para que o imóvel fosse utilizado, gerando função social na propriedade (obrigação constitucional) e gerando receitas que pudessem ser utilizadas em alguma das unidades hospitalares?

O movimento Terra Livre, por exemplo, poderia ter intermediado a compra do imóvel da rua Amaral Gurgel pela prefeitura de São Paulo, para a construção de habitações populares, após ocupá-lo recentemente. Foi o que ocorreu, por exemplo, em alguns imóveis do INSS em São Paulo, ocupados por outros movimentos de moradia com a mesma finalidade. No entanto, no caso da Amaral Gurgel, foi feita a reintegração de posse menos de 2 semanas da ocupação, e o edifício, abandonado, voltou a ficar sem função social.

(Policiais e segurança privada protegem imóvel abandonado na região central de São Paulo - Foto: Victor Amatucci)
Policiais e segurança privada protegem imóvel abandonado na região central de São Paulo – Foto: Victor Amatucci

A cidade de São Paulo não é o único caso. Em Jardinópolis, interior do estado, a Santa Casa também foi alvo de críticas por parte dos vizinhos de outro imóvel abandonado. O local aguarda processo judicial para ser comprado pela prefeitura, no caso de Jardinópolis.

Imóveis abandonados são triplamente prejudiciais à Santa Casa e população. Em primeiro lugar pelo investimento necessário à sua manutenção (ainda que abandonados, contam com segurança privada e alarme). Em segundo por conta da renda que poderia ser gerada caso os imóveis fossem alugados ou vendidos. E a razão menos óbvia, conforme explicado nesta reportagem do Democratize, porque estes edifícios em estado de abandono são causadores de doenças e prejudiciais à saúde pública, gerando ainda mais gastos para a própria Santa Casa e, indiretamente, ao governo do Estado.

 

Posts Relacionados

On Top
error: Para reproduzir o conteúdo do Democratize, entre em contato pelo formulário.
%d blogueiros gostam disto: