Em seu primeiro pronunciamento oficial como presidente interino nesta quinta-feira (12), Michel Temer disse que é preciso um “governo de…

A “salvação nacional” de Temer começa com suspensão de investigação sobre Aécio

A “salvação nacional” de Temer começa com suspensão de investigação sobre AécioEm seu primeiro pronunciamento oficial como presidente interino nesta quinta-feira (12), Michel Temer disse que é preciso um “governo de…


A “salvação nacional” de Temer começa com suspensão de investigação sobre Aécio

Foto: Alice V/Democratize

Em seu primeiro pronunciamento oficial como presidente interino nesta quinta-feira (12), Michel Temer disse que é preciso um “governo de salvação nacional”. Poucas horas depois, o ministro Gilmar Mendes suspendeu a investigação sobre Aécio Neves (PSDB). Salvação pra quem?


“É urgente pacificar a Nação e unificar o Brasil. É urgente fazermos um governo de salvação nacional”.

As palavras do presidente interino Michel Temer (PMDB), ditas durante seu primeiro pronunciamento no cargo nesta quinta-feira, parecem não bater com os primeiros fatos que surgem após suas primeiras horas de governo.

Isso porque o tão solicitado “combate contra a corrupção” nas manifestações pelo impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff (PT) começou com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF) suspendendo a investigação sobre o envolvimento do senador Aécio Neves (PSDB) no esquema de propina ligado a estatal de energia Furnas.

Tudo isso aconteceu em menos de exatamente 24 horas.

Considerado “agressivo” e “defensor da moral republicana” por seus defensores, Gilmar Mendes sempre fez vista grossa contra petistas e quadros ligados ao então governo de Dilma Rousseff. Mas com Aécio, o ministro alegou que nesse curto espaço de tempo o senador e seus advogados “conseguiram provar que não há novos elementos que justifiquem a abertura de inquérito”.

Em delação premiada, o ex-senador Delcídio do Amaral havia citado o tucano Aécio Neves como pessoa próxima a Dimas Toledo, apontado como operador do esquema de corrupção em Furnas. Isso ocorreu depois do senador mineiro já ter sido mencionado no esquema em outra delação premiada, do doleiro Alberto Yousseff. Na época, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, havia considerado insuficientes as informações do delator.

Segundo Janot, o novo pedido foi justificado porque “existem elementos na delação de Delcídio que comprovam fatos narrados por Youssef”.

Aécio ainda é suspeito de possuir contas em um paraíso fiscal por meio de uma fundação que estava vinculada à mãe dele, Inês Maria Neves Faria.

Ironicamente — ou não — , todos esses fatos ocorrem horas após o senador tucano ter participado da cerimônia de posse do presidente interino Michel Temer, em Brasília. Aécio afirma ter ido apenas para parabenizar Temer, já que o tucano não faz parte do novo quadro de equipe do governo.

Em seu discurso, Temer pediu “confiança ao povo brasileiro”, afirmando defender a operação Lava Jato — que ainda investiga diversos nomes do seu partido, além dele próprio.

Dos 23 nomes indicados por Temer para os ministérios, pelo menos 7 são investigados na Justiça ou em tribunais.

No Planejamento, Romero Jucá é alvo de pelo menos 2 inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). A suspeita é de recebimento de propina de contratos do setor elétrico disfarçada de doação eleitoral a seu filho, que disputou o cargo de vice-governador de Roraima em 2014. O novo minisrtro também é investigado no principal inquérito da Lava Jato no STF, que apura formação de quadrilha no esquema de desvios na Petrobras.

Na Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima é citado na Lava Jato, suspeito de ter usado sua influência para atender a interesses da construtora OAS no banco, junto à Secretaria da Aviação Civil da presidência e à prefeitura de Salvador.

Nas Relações Exteriores, o novo ministro é José Serra, do PSDB. Há poucos dias atrás, o STF recebeu da Justiça de São Paulo um pedido de investigação de três ex-deputados suspeitos de improbidade administrativa, e um deles é Serra. Além disso, em março, o STF decidiu reabrir duas ações de reparação de danos por improbidade administrativa contra ex-ministros de FHC; e claro, Serra também está na lista.

Primeira reunião ministerial do governo Temer | Foto: José Cruz/Agência Brasil

No Ministério das Cidades, o deputado Bruno Araújo teve seu nome citado na lista de pagamentos feitos pela Odebrecht, revelada após busca e apreensão feita pela operação Lava Jato em março deste ano. A citação do nome do tucano é referente às campanhas eleitorais de 2010 e 2012.

O novo ministro da Saúde é Ricardo Barros, do PP. Um inquérito do STF investiga uma suposta orientação dada por Barros para direcionar uma licitação de publicidade da prefeitura de Maringá. De acordo com o MP, Barros teria orientado um secretário da prefeitura de Maringá a fazer um “acordo” entre duas agências de comunicação que disputavam licitação de publicidade da administração municipal, no valor de R$7,5 milhões.

Na pasta de Comunicações, Ciência e Tecnologia ficou com Gilberto Kassab. Ele, junto a Serra, foi acusado de ter ignorado regras do reajuste salarial de professores e funcionários municipais. Além disso, desde o ano passado a Justiça de São Paulo tornou o ministro réu em uma ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público.

By Democratize on May 13, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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