Foto: Divulgação

A reação da direita contra Freixo explica a sua possibilidade de vitória

Poucos dias após a sua chegada ao segundo turno, o candidato do PSOL para a prefeitura do Rio de Janeiro começa a sofrer ataques nas redes sociais por parte de lideranças políticas de direita. Ao mesmo tempo, jornais e revistas que seguem uma linha conservadora questionam o posicionamento de Freixo. Mas, tendo em vista o exemplo de Lula em 2002, isso prova que as chances de vitória existem — e são grandes.

Em 2002, o então candidato a presidência da República pelo Partido dos Trabalhadores, Lula, sofreu com a chamada “publicidade negativa” por parte de lideranças políticas de direita, além dos meios de comunicação que seguem uma tendência mais conservadora.

Isso já havia acontecido anteriormente, nas outras eleições que Lula disputou. Mas não com a mesma intensidade.

Talvez pelo fato de que o candidato petista estava em crescimento nas pesquisas, ou pela impopularidade do candidato tucano — José Serra — , revistas como a VEJA e “formadores de opinião” resolveram atacar a candidatura petista.

Vale lembrar a sequência de capas da VEJA naquele ano eleitoral.

A reação da direita contra Freixo explica a sua possibilidade de vitória

Mesmo após criar alianças com siglas de centro e centro-direita, além de seguir a mesma linha econômica defendida pelo governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), um verdadeiro estardalhaço foi articulado por esses meios de comunicação para aterrorizar a população sobre a possibilidade do PT radicalizar caso ganhe a eleição daquele ano.

Em uma das capas (direita), a VEJA questiona o fato de 30% dos integrantes do PT fazerem parte de “alas revolucionários”.

É claro. A situação de Freixo é completamente diferente hoje.

No caso atual, o PSOL hoje é visto por esses mesmos veículos de comunicação como a sigla de esquerda eleitoral mais radical da política brasileira nos dias de hoje. São aqueles “indignados com a política econômica de Lula” que deixaram o PT. São exatamente a “ala revolucionária”, 30% do partido em 2002, que não concordou com a continuidade de uma política de centro.

Então, era de se esperar uma verdadeira onda de críticas, boatos, manipulações e até mesmo ataques pessoais contra Freixo neste segundo turno no Rio.

Porém, não se imaginava que isso começaria um dia após o primeiro turno.

A primeira onda de ataques nesta semana começou com o Pastor Silas Malafaia, conhecido por se posicionar contra ideais progressistas de inclusão social e igualdade de gênero.

Em vídeos no Youtube em seu canal oficial, o pastor tenta ligar a imagem do candidato do PSOL com o crime organizado, citando o fato dele e de seu partido “defenderem bandidos” através de políticas de Direitos Humanos.

O mesmo já havia sido feito durante o primeiro turno, quando candidatos como Flávio Bolsonaro (PSC) tentaram ligar a imagem de Freixo aos “black blocs”, se referindo ao caso do cinegrafista da Rede Bandeirantes que faleceu após ser atingido por um artefato disparado por manifestantes, no começo de 2014 no Rio de Janeiro.

Não deu certo.

A campanha de Freixo chegou, inclusive, a gravar um vídeo com os familiares do cinegrafista, que defenderam a campanha de Freixo para a cidade como melhor opção para a segurança pública.

Além de vídeos, Malafaia também usou seu Twitter para “tentar” atacar Marcelo Freixo.

O problema é que os tweets do pastor acabaram viralizando de forma positiva ao candidato do PSOL nas redes sociais.

Inclusive, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL) tem sido bastante utilizado pela “publicidade negativa” contra Freixo neste segundo turno. Em todo o momento, tentam associar a imagem do candidato a prefeito do Rio com a do deputado, para tentar “espantar” votos que possam vir de setores mais religiosos do Rio, que mesmo não concordando totalmente com o programa político de Freixo, não consideram viável a opção de Crivella (PRB).

Um meme nas redes sociais tem sido utilizado para ironizar como seria a equipe política de Freixo em caso de vitória nas eleições.

Assim como o tweet de Malafaia, o meme acabou viralizando de forma positiva nas redes sociais.

Mas a reação de setores conservadores vai além das “celebridades” como o Pastor Silas Malafaia.

Através de seus colunistas, os meios de comunicação alinhados com o conservadorismo já começam a atacar a candidatura de Freixo, poucos dias após o primeiro turno.

É o caso de Reinaldo Azevedo, pela Revista VEJA.

Em um dos textos, o colunista tenta associar a imagem de Freixo com a dos ex-presidentes Lula e Dilma: “Freixo no Rio é PT de Lula e Dilma no comando de novo, livrem-se deles cariocas”, é o título de um dos textos.

Dois dias depois, Azevedo coloca em seu blog: “Freixo não quer Lula no seu palanque”. Ignorando totalmente o seu erro drástico em tentar associar a figura do candidato do PSOL com a do ex-presidente, o colunista da VEJA parte para a ironização sobre a campanha de Freixo: “O candidato das celebridades descoladas do Rio de Janeiro chegou ao segundo turno com voto útil de petistas e outros esquerdistas”, escreveu.

Porém, o colunista de direita acaba ignorando um fator essencial sobre o segundo turno do Rio de Janeiro.

Quem foi ex-ministro do governo petista de Dilma Rousseff não foi Freixo: e sim Crivella. Para ser mais claro, o PRB fez parte da base política do governo Dilma até este ano, com o processo de impeachment, enquanto o PSOL se manteve como oposição ao governo petista desde o segundo mandato do governo Lula, em 2006.

Crivella ao lado da ex-presidente Dilma Rousseff, do ex-governador Sergio Cabral (PMDB), além do senador Lindberg (PT) e do ex-presidente Lula | Foto: O Globo
Crivella ao lado da ex-presidente Dilma Rousseff, do ex-governador Sergio Cabral (PMDB), além do senador Lindberg (PT) e do ex-presidente Lula | Foto: O Globo

Portanto, tentar associar a imagem do PSOL como “linha auxiliar” do petismo não só é incorreto, como também ignora a história do PRB e do próprio Crivella com o governo de Dilma Rousseff e o PT.

Tal narrativa de publicidade negativa poucos dias após o primeiro turno mostra claramente qual a intenção dos setores conservadores, e principalmente qual o seu medo.

A queda de Crivella nas pesquisas do primeiro turno já demonstravam que sua figura política não é confiável para a maioria dos eleitores do Rio. Agora, em um segundo turno onde ambos os candidatos terão o mesmo tempo de TV, e com toda a esperança que a esquerda deposita na candidatura de Freixo, a possibilidade de vitória existe. E uma das provas disso é justamente a reação da direita e de setores conservadores da sociedade. Tão imediata e tão pouco planejada.

 

Posts Relacionados

On Top
error: Para reproduzir o conteúdo do Democratize, entre em contato pelo formulário.
%d blogueiros gostam disto: