Foto: Reprodução/Google/HBO

A política da Coréia do Sul virou uma série de ficção – e a população foi pra rua

Parece enredo de séries como Game of Thrones: a presidente da Coréia do Sul faz parte do que vem sendo chamado de “As 8 Deusas”, que teria como objetivo controlar todo o país. Trata-se de oito bilionárias que estão por trás dos discursos, forma de vestimenta, atuação diante do público e até mesmo projetos políticos da presidente Park Geun-hye. Caso levou milhares de pessoas para as ruas do país para protestar exigindo sua saída do poder.

Por muito tempo, a mídia ocidental considerou qualquer notícia relacionada com a Coréia do Norte como absurda. Mas no final das contas, o acontecimento mais bizarro – e inacreditável – veio do seu vizinho, Coréia do Sul.

Parece uma história de cinema. Um roteiro digno de deixar Game of Thrones ou House of Cards no chão. Você acha a política brasileira, com a Lava Jato e o impeachment de Dilma Rousseff algo suficiente para uma série no Netflix? Então espere para entender o que vem acontecendo na Coréia do Sul.

A presidente Park Geun-hye foi alvo de alguns boatos em meados de 2013. Eram teorias de conspiração consideradas, até então, absurdas demais para ser verdade. Ela faria parte de uma sociedade secreta chamada “As 8 Deusas”, que teriam como objetivo controlar todo o país. São oito mulheres bilionárias, mega-empresárias que controlam todos os passos de Park Geun-hye: da vestimenta até os discursos, a forma de agir diante do público e nos bastidores, e claro, o rumo do país com projetos como a reforma tributária, decisões diplomáticas, designações de ministérios.

E no final das contas, o país descobriu que era tudo verdade.

A “líder” dessa seita seria sua amiga pessoal, Choi Soon-sil, que foi detida recentemente. Diante das câmeras, a bilionária apareceu em lágrimas, pedindo perdão e afirmando que cometeu um crime “pelo qual merece morrer”. Segundo a BBC, a presidente e Choi se conhecem faz décadas. A presidente, órfã, foi praticamente cuidada pela sua amiga durante toda a vida. Ironicamente, seus pais tiveram situação semelhante, sendo amigos próximos durante toda a vida, e ocupando posições hoje desempenhadas pelas filhas.

Park Chung-hee esteve quase 20 anos no poder, na sequência do golpe militar de 1961 que derrubou a Segunda República. Em 1979, foi assassinado pelo chefe dos serviços secretos e uma das principais teorias por trás do caso é a de que a excessiva proximidade entre Park e um líder religioso obscuro estariam a causar incômodo aos serviços de segurança. O religioso era Choi Tae-min, pai da amiga da atual Presidente. Também a ele lhe chamavam “Rasputin”, o místico russo que exercia uma influência profunda na corte do czar Nicolau II.

Diante do trauma, Choi abandonou o budismo e fundou a igreja cristã “Igreja da Vida Eterna” – que segundo informações dos jornais sul-coreanos, servia como base da seita das “As 8 Deusas”.

Manifestantes utilizam máscaras de Park e Choi, durante protesto em Seul | Foto: REUTERS/Kim Hong-Ji
Manifestantes utilizam máscaras de Park e Choi, durante protesto em Seul | Foto: REUTERS/Kim Hong-Ji

Em 2007, o WikiLeaks chegou a denunciar a proximidade entre as duas. Em um telegrama da embaixada norte-americana em Seul naquele ano, era possível verificar a preocupação do governo norte-americano com a proximidade entre Choi e Park, sobre como a bilionária “controlava a presidente durante todo o tempo”.

Agora, a história foi além após a divulgação de mais informações pela mídia do país. No final das contas, Choi controlava todas as ações da presidente sul-coreana, além de ter acesso a qualquer documento confidencial do governo: dados diplomáticos, questões militares, encaminhamento de ministérios e indicações políticas, além de sugerir o destino de questões econômicas sensíveis para o país, como foi o caso da reforma tributária.

Ainda segundo a imprensa sul-coreana, vários jornalistas que tentavam vazar a história acabaram presos.

Toda essa situação acabou gerando uma revolta da população no país que, desde o fim de semana, protesta nas ruas exigindo a saída da presidente Park de seu cargo, além do julgamento dela e de Choi, e das outras “deusas”.

Posts Relacionados

On Top
error: Para reproduzir o conteúdo do Democratize, entre em contato pelo formulário.
%d blogueiros gostam disto: