Foto: Beto Barata /PR / Wikipedia

A Operação Lava Jato não tem interesse na corrupção — mas interessa aos corruptos

Prisões autoritárias, conduções coercitivas e a completa ausência de opositores do PT são o mote da operação que anunciou acabar com a corrupção, mas que deixa corruptos impunes.

2003, Caso Banestado. É esse o verdadeiro embrião da Operação Lava Jato. Descobriu-se, na primeira delação premiada da história do país (ou pelo menos é assim que o Ministério Público Federal define a questão), que o grupo Abril, RBS (afiliada da Rede Globo de Televisão), TVA e até o SBT estavam envolvidos em movimentações financeiras que ultrapassaram a ordem do bilhão. Só a RBS, em realidade, teria movimentado 1.6 bilhão de um banco chamado CC5 ou simplesmente Banestado.

Chega 2009 — um ano antes da eleição presidencial que coloca Dilma Rousseff pela primeira vez na Presidência da República — e a Operação Lava Jato tem seu início.

A Operação chegaria em Romero Jucá e Renan Calheiros, que foram flagrados conversando sobre a necessidade de se tirar Dilma Rousseff do poder para “parar a sangria” da Lava Jato. Os dois, no entanto, já haviam sido flagrados em outra operação que também nasceu da delação de Alberto Yousseff, a Operação Zelotes.

Renan Calheiros, que em 2007 já havia renunciado ao cargo por acusações de pagar contas pessoais com dinheiro de propina, foi indiciado somente em 2016. E não é o único.

Foto: Fotos Públicas
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José Serra, Romero Jucá, Agripino Maia, a lista é extensa demais para ser colocada em uma única reportagem. O fato é que nenhum grande opositor ao PT foi alvo de PowerPoints, convicções ou prisões por falta de provas. Não, você não leu errado. Segundo Sérgio Moro, Palocci foi preso na manhã da última segunda-feira (26 de setembro) porque:

É possível que os pagamentos tenham, em parte, ocorrido em contas secretas no exterior ainda não identificadas ou bloqueadas. Enquanto não houver tal identificação, há um risco de dissipação do produto do crime, o que inviabilizará a sua recuperação. Enquanto não afastado o risco de dissipação do produto do crime, presente igualmente um risco maior de fuga ao exterior, uma vez que os investigados poderiam se valer de recursos ilícitos ali mantidos para facilitar fuga e refúgio no exterior.

A citação, retirada deste PDF, está completa apenas para fins de honestidade intelectual. Mas você pode ler a versão resumida da seguinte forma:

É possível que os pagamentos tenham, em parte, ocorrido em contas secretas no exterior ainda não identificadas ou bloqueadas. Enquanto não afastado o risco de dissipação do produto do crime, presente igualmente um risco maior de fuga ao exterior.

Ou seja, “é possível que os pagamentos tenham ocorridos em contas secretas não identificadas ainda, por isso vamos prender Palocci para que ele não movimente as contas — que não foram identificadas ou cujas existências não comprovadas”. Resumindo: não há provas, mas há certeza de que encontraremos, por isso vamos mantê-lo preso.

Ignoremos, por um momento apenas, a Constituição (ela, afinal, não tem servido para muita coisa mesmo) e vamos considerar as convicções dos agentes da Polícia Federal e do Ministério Público.

Semana passada Guido Mantega foi preso enquanto esperava o fim da cirurgia de sua esposa, que está com um gravíssimo problema de saúde. Ele é citado no pedido de prisão temporária, de onde retiramos as citações acima. E como ele é citado?

Ressalve­-se que, inicialmente, o codinome “Italiano” teria sido atribuído pela autoridade policial a Guido Mantega, que possui nacionalidade italiana.

Essa hipótese foi, posteriormente, descartada.

Moro justificou a soltura de Guido, ainda no mesmo dia, pela falta de necessidade de sua prisão. Mas, ora, quem mandou prender?

Outro que já foi preso e, continua preso, é José Dirceu. Sobre ele, as convicções recentemente mudaram:

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