No dia 19 de março, surgiu uma nova ocupação na cidade de São Paulo: a Nova Esperança Vermelha, na Cidade Tiradentes, zona leste da capital…

A Ocupação Nova Esperança Vermelha e o futuro da moradia popular

A Ocupação Nova Esperança Vermelha e o futuro da moradia popularNo dia 19 de março, surgiu uma nova ocupação na cidade de São Paulo: a Nova Esperança Vermelha, na Cidade Tiradentes, zona leste da capital…


A Ocupação Nova Esperança Vermelha e o futuro da moradia popular

Foto: Gabriel Soares/Democratize

No dia 19 de março, surgiu uma nova ocupação na cidade de São Paulo: a Nova Esperança Vermelha, na Cidade Tiradentes, zona leste da capital. Mais de 3.500 famílias ocupam o terreno pelo MTST, enquanto o problema da moradia continua sendo um desafio para a sociedade brasileira.

O fotógrafo do Democratize, Gabriel Soares, visitou neste fim de semana a mais recente ocupação do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto em São Paulo, na região leste da capital. É a Ocupação Nova Esperança Vermelha, na Cidade Tiradentes.

Não demorou muito para que todo o terreno fosse ocupado. Em questão de uma semana, a lotação já estava quase no limite. Hoje, mais de 3.500 famílias vivem no local, cada uma com o seu espaço e seu barraco, determinado coletivamente pela organização.

Aos sábados, a ocupação promove oficinas para os ocupantes e comunidade no local, como corte de cabelo e até mesmo política. Segundo uma das ocupantes, o processo ainda está no começo e com o tempo o número de atividades deve aumentar ainda mais.

Foto: Gabriel Soares/Democratize

Para os moradores e os líderes da ocupação, o próximo passo é iniciar as negociações com o dono do terreno e a prefeitura.

Porém, nada indica que será fácil para os movimentos que lutam por moradia a jornada durante os próximos anos — com ou sem o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Caso o vice-presidente Michel Temer assuma o comando do Planalto, a tendência pregada pelo próprio PMDB e pela oposição é a realização de cortes orçamentários em programas sociais, como o Minha Casa Minha Vida, o pilar de moradia popular do governo federal desde 2009.

O PMCMV (Programa Minha Casa, Minha Vida) foi lançado em março de 2009 pelo governo Lula. Além do objetivo social, o programa gerou emprego e renda, nos últimos anos, por meio do incremento da cadeia produtiva do setor da construção civil.

O PMCMV subsidia a aquisição da casa/apartamento próprio para famílias com renda até R$ 1,6 mil e, facilita as condições de acesso ao imóvel para famílias com renda até R$ 5 mil.

Segundo fontes do governo federal, até hoje foi feito o investimento de cerca de R$294,494 bilhões no programa, com cerca de 4.219.366 unidades contratadas e 2.632.953 unidades entregues em todo o Brasil. Só no estado de São Paulo, foram quase 500 mil unidades do programa entregues.

Foto: Gabriel Soares/Democratize

Mas como fica, daqui pra frente, a realização do PMCMV e a questão das ocupações no país?

Segundo dados do Projeto de Lei Orçamentária de 2015, do orçamento da União foram destinados apenas 0,01% para Habitação. Outros fatores ligados à moradia também foram de baixo investimento, como assistência social (3,08%), saneamento (0,02%) e urbanismo (0,04%).

Como a tendência, mesmo com a possibilidade de continuidade do governo Dilma Rousseff, é de mais ajuste fiscal e corte de gastos, os investimentos em moradia popular devem cair ainda mais nos próximos 2 anos.

Segundo o instituto de pesquisas Datapopular, essa é a maior preocupação das classes C, D e E: a redução massiva em investimentos nos programas sociais do governo federal, como o Bolsa Família, o Prouni, Pronatec e o próprio Minha Casa Minha Vida.

Foto: Gabriel Soares/Democratize

Mesmo “despreocupado” com o impeachment, é o brasileiro que recebe ajuda do governo federal com programas sociais que deve sofrer na pele os primeiros efeitos do novo governo Temer.

O “plano Temer”, ou a carta de propostas do seu partido chamada “Ponte para o Futuro”, deixam bem claro que é preciso fazer o mercado voltar a confiar na economia brasileira.

Para isso, é preciso apertar ainda mais o cinto com gastos públicos. O primeiro setor que deve sofrer ajustes são os programas sociais. Mesmo tendo negado que iria acabar com o Bolsa Família, a tese de ajustes na elaboração e distribuição do benefício é debatida intensamente nos bastidores do PMDB e da oposição. O mesmo vale para os direitos trabalhistas, que no ano passado já foram duramente atacados pelo Congresso e pelo próprio governo Dilma Rousseff, com alterações no seguro-desemprego e a ampliação da terceirização no mercado de trabalho.

O futuro é incerto.

A tendência é que novas ocupações acabem nascendo em todo o país, devido ao nível da crise política e econômica que o país vive.

Porém, nada garante o sucesso dessas ocupações.

Serão 2 anos de muita batalha para os movimentos por moradia.

Foto: Gabriel Soares/Democratize

By Democratize on April 25, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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