Cerca de mil pessoas participaram de mais uma Marcha Antifascista realizada em São Paulo, neste sábado (30). O ato reuniu setores mais aut…

A Marcha Antifascista e seu alerta contra o avanço de uma direita retrógada

A Marcha Antifascista e seu alerta contra o avanço de uma direita retrógadaCerca de mil pessoas participaram de mais uma Marcha Antifascista realizada em São Paulo, neste sábado (30). O ato reuniu setores mais aut…


A Marcha Antifascista e seu alerta contra o avanço de uma direita retrógada

Foto: Alice V/Democratize

Cerca de mil pessoas participaram de mais uma Marcha Antifascista realizada em São Paulo, neste sábado (30). O ato reuniu setores mais autônomos da esquerda, que mesmo distantes dos partidos políticos, deram seu alerta sobre como o processo de impeachment de Dilma só interessa aos setores mais conservadores da sociedade.

Anarquistas e comunistas, sem nenhuma bandeira de partido político da esquerda institucional, se reuniram neste sábado (30) na já tradicional Marcha Antifascista, realizada todos os anos no centro de São Paulo.

Desta vez, a ação coordenada por diferentes grupos foi feita de forma simultânea em diversas capitais do país.

Com o avanço do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, liderado por setores mais conservadores da sociedade, não faltou discursos contra o chamado golpe. Mas o mais importante foi registrado: como o jogo político institucional afeta diretamente a população mais pobre.

O ato, que começou com concentração na Praça da Sé no final da tarde, carregava críticas contra o governo Dilma, mas principalmente contra os “protagonistas do impeachment”.

No microfone, Lúcia Skromov, que foi torturada durante a ditadura militar pelo Coronel Ustra — aquele que foi homenageado pelo deputado Jair Bolsonaro — , discursou sobre o risco que existe com o impeachment de Dilma, no que ele representa como avanço da direita.

Foto: Francisco Toledo/Democratize

Enquanto discursava e relatava sobre a tortura sofrida nas mãos de Ustra, os manifestantes não deixavam de gritar contra a Polícia Militar e contra a extrema-direita institucionalizada, na figura do deputado Bolsonaro.

Diferente das manifestações convocadas no último mês por setores contra o impeachment, o grupo que mais predominava na faixa etária eram os jovens, em sua maioria estudantes de 16 até 24 anos de idade. Apartidários, carregavam críticas que iam além do impeachment, tocando na fragilidade da democracia representativa brasileira.

A manifestação seguiu seu trajeto a partir das 18h30, caminhando até onde funcionava o DOPS — famoso prédio onde o governo militar realizava sessões de tortura contra ativistas políticos após o golpe de 1964.

A partir dai, o ato caminhou até o prédio do Centro Paula Souza, ocupado por estudantes secundaristas desde quinta-feira (28), em protesto pela falta de merendas nas ETECs e nas escolas estaduais.

Foto: Alice V/Democratize

Apesar da Polícia Militar acompanhar toda a manifestação, não houve qualquer tipo de confronto entre policiais e manifestantes.

Na realidade, o que mais chamou atenção em determinado momento foi o pequeno efetivo policial encaminhado para acompanhar o ato, ao contrário do que tem acontecido nas manifestações convocadas por movimentos sociais e de esquerda em São Paulo.

O ato terminou de forma pacífica, mas o fator mais importante foi o seu recado.

Apesar dos manifestantes considerarem o governo de Dilma Rousseff como um verdadeiro “mar de retrocessos”, o processo de impeachment da presidenta acabaria resultando em uma gestão política liderada por setores conservadores, que teriam como objetivo aplicar uma agenda de austeridade mais radical do que a gerenciada por Dilma desde o ano passado.

Pior do que isso, essa nova agenda política de um eventual governo Michel Temer acabaria resultando no fortalecimento da extrema-direita, encabeçada pelo deputado Jair Bolsonaro e pela chamada “Bancada BBB”, com os setores armamentistas, evangélicos e do agronegócio.

Com a possibilidade de maior radicalização por parte desses grupos, principalmente no campo, o “alerta antifascista” é mais necessário do que nunca.

Para que não ocorra novamente em nossa história mais um capítulo vergonhoso.

Veja mais fotos do ato, pelos fotógrafos do Democratize.

Foto: Wesley Passos/DemocratizeFotos: Alice V/DemocratizeFoto: Wesley Passos/Democratize

By Democratize on May 1, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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