Desde o final de março, negociações entre Michel Temer, aliados e Eduardo Cunha ocorrem para “garantir a segurança do novo governo”. Em uma…

A manobra política por trás da renúncia de Eduardo Cunha

A manobra política por trás da renúncia de Eduardo CunhaDesde o final de março, negociações entre Michel Temer, aliados e Eduardo Cunha ocorrem para “garantir a segurança do novo governo”. Em uma…


A manobra política por trás da renúncia de Eduardo Cunha

Charge: Ribs

Desde o final de março, negociações entre Michel Temer, aliados e Eduardo Cunha ocorrem para “garantir a segurança do novo governo”. Em uma das conversas, o presidente interino sugeriu ao deputado Eduardo Cunha a possível renúncia na presidência da Câmara dos Deputados.


A renúncia de Eduardo Cunha (PMDB) na presidência da Câmara dos Deputados é o assunto desta quinta-feira (07) em todo o Brasil. Alguns comemoram, outros preferem olhar com mais cautela.

E quem prefere observar os fatos já percebeu que a coisa não é bem assim.

Não é de hoje que os aliados do ex-presidente da Câmara pedem a sua renúncia na Casa, para salvar seu mandato como deputado federal e também poupar o novo governo em Brasília de possíveis crises.

Hoje, Cunha ouviu seus antigos amigos. Chorou, disse que iria provar sua inocência. “Que prove, mais sozinho”, deve ter dito Michel Temer.

Dias atrás, foi o próprio presidente interino que convidou Cunha para uma reunião particular. O assunto deve ter sido o destaque da conversa. Motivos não faltam para Temer pensar dessa forma.

Afinal, para o governo interino conseguir o mínimo de legitimidade, ele precisaria se livrar da imagem do presidente da Câmara até então afastado, que carrega nas costas diversas denúncias de corrupção — inclusive na Operação Lava Jato. Além disso, o governo precisa determinar uma nova liderança na Câmara, para consagrar a maioria na Casa, e tirar de vez o deputado Waldir Maranhão (PP) do cargo interino no comando da Casa.

Além dessa última reunião, Temer já havia conversado com Cunha no final do mês de março, conforme publicado pela jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo.

Foto: Fernando DK/Democratize

Agora, o foco da mídia e de boa parte dos grupos “anticorrupção” se concentram na finalização do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) — afastada sob liderança do próprio Cunha.

Com isso, o deputado do Rio de Janeiro tem tempo e espaço para realizar suas famosas manobras, utilizando não mais o poder como moeda — e sim o que ele sabe sobre boa parte dos políticos que fazem parte do Congresso Nacional.

Não vai ser fácil.

E não vai ser bonito de ver.

Para o dia 31 de julho, esses grupos pró-impeachment devem se manifestar em defesa de Michel Temer e contra a presidente petista. Cunha, mais uma vez, vai ficar de fora. Um velho aliado de Kim Kataguiri & Amigos.

Enquanto a corrupção de uns é considerado uma prática intolerável, a de outros é abraçada — e posteriormente, após usada, descartada, mas não criticada.

E com isso, Cunha conseguiria se dar bem — mais uma vez.

Será que a sociedade civil conseguirá conviver com isso?


Texto por Francisco Toledo, co-fundador da Agência Democratize

By Democratize on July 7, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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