Por Paulo Silveira

A jornada contra Cunha continua nas ruas

A jornada contra Cunha continua nas ruasPor Paulo Silveira


A jornada contra Cunha continua nas ruas

Foto: Fernando DK/Democratize

Por Paulo Silveira

Sexta feira. Cinco horas da tarde no vão do MASP. A movimentação ainda é pequena. Grupos e coletivos combinaram mais uma marcha contra o Cunha, lembrando que um dia antes já houvera outra.

Balões da CUT são poucos. O movimento dos pequenos agricultores, de vermelho, e o Levante Popular da Juventude, facilmente identificados por trajes pretos, são os protagonistas. Há também uma grande parcela de jovens mulheres sem filiação à nenhum movimento específico.

O Levante trouxe uma bateria completa, composta exclusivamente por mulheres. Os cânticos foram bem preparados. “É só empurrar que o cunha cai” é uma das diversas paródias que animam as manifestantes e os manifestantes. Mas, afinal, o que elas querem? O que eles querem?

As respostas são variadas, mas o foco é o PL 5069, que dificulta o acesso ao aborto legal por vítimas de estupro. Claro, há muitas piadas sobre o dinheiro na Suiça e referências ao estado laico. Uma constituição laica mas que vale lembrar: em seu preâmbulo, ela é estranhamente ‘promulgada sob a proteção de Deus’.

O grupo aumenta e são seis horas: é tempo de sair para a avenida. No começo um pouco desorganizada, rapidamente o Levante consegue preparar as faixas, balões, cartazes e música de forma bastante interessante. A polícia aparece para limitar o trânsito e permitir a passagem da manifestação.

Foto: Fernando DK/Democratize

Na altura das lojas Marisa (coincidência?), as mulheres pedem para que todos se sentem. Os balões são lançados ao ar com mensagens de Fora Cunha, novos cânticos são entoados e repentinamente uma surpresa. Um sujeito alto, de terno alinhado, com a máscara de Cunha, dá palavras de ordem e distribui dólares, com uma bandeira da Suiça. A encenação é rápida e intensa, culminando com o Cunha Fake atrás das grades.

As manifestantes retomam o caminhar. Cartazes Fora Cunha são colados de farol em farol pela avenida Paulista. Alguns sobrepondo os posteres do coletivo SP Invisível. A nova parada é em frente ao Conjunto Nacional. “É show?”, “É contra quem?” “Contra o Cunha, que bom”. Diferente de outras manifestações maiores, pareceu-me que esta motivação é bem melhor aceita pelos transeuntes da avenida Paulista.

Foto: Fernando DK/Democratize

Movimentação nos andares superiores do Conjunto Nacional. É alguém tentando desenrolar uma gigante faixa! Creio que a segurança do prédio já esteja habituado e rapidamente o manifestante é imobilizado, para desespero da multidão. Minutos depois, o responsável reaparece no topo do Conjunto Nacional para acenar, indicando que estava bem. Fiquei impressionado ao ver que os seguranças haviam-no permitido dar esse sinal.

Aqui o grupo toma a Rua Agusta, em direção ao centro. Eu tomo o metrô em direção a minha casa. A situação de Cunha parece insustentável entre todas as esferas, classes sociais e políticas. Aiaiai, empurra que ele cai!


Paulo Silveira é escritor pela Agência Democratize, trabalha com computação no dia a dia e é um curioso dos movimentos democráticos

By Democratize on November 14, 2015.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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