Para o jornalista Juca Kfouri, existe um amplo espaço para “teorias de conspiração” sobre o caso envolvendo a briga entre torcidas no…

A implacável perseguição política contra as organizadas e a teoria de Kfouri

A implacável perseguição política contra as organizadas e a teoria de KfouriPara o jornalista Juca Kfouri, existe um amplo espaço para “teorias de conspiração” sobre o caso envolvendo a briga entre torcidas no…


A implacável perseguição política contra as organizadas e a teoria de Kfouri

Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

Para o jornalista Juca Kfouri, existe um amplo espaço para “teorias de conspiração” sobre o caso envolvendo a briga entre torcidas no domingo, que resultou na morte de uma pessoa. O ativismo político da Gaviões da Fiel neste ano, as investigações sobre o deputado Fernando Capez (PSDB), tudo isso narraria um verdadeiro plano de sabotagem.

No último clássico entre Palmeiras e Corinthians deste domingo (03), um senhor de idade acabou falecendo após uma briga entre torcidas organizadas dos dois times em uma estação do metrô de São Paulo.

Por conta disso, o governo estadual de São Paulo determinou que os clássicos a partir de agora que ocorressem no estado teria apenas torcida única — ou seja, do time mandante, da casa. Além disso, de forma inexplicável, a Secretaria de Segurança Pública incluiu outras exigências que devem ser seguidas até o final deste ano: a venda online de ingressos será feita mediante cadastro prévio dos torcedores, e faixas e demais adereços das organizadas (como bateria) estão proibidos.

Esta última determinação toca em um assunto muito peculiar, discutido recentemente pelo jornalista esportivo Juca Kfouri, em um programa noturno no canal de TV por assinatura, ESPN.

Juca argumenta que, diante do recente cenário político no qual se encontra as torcidas organizadas, existe um amplo espaço para possíveis “teorias de conspiração”.

O jornalista cita o ativismo político recente das organizadas do Corinthians, principalmente a Gaviões da Fiel. Os torcedores tem organizado manifestações dentro e fora do estádio contra a chamada Máfia da Merenda, onde o deputado federal Fernando Capez (PSDB) se encontra envolvido nas investigações. Capez é presidente da Alesp, a Assembleia Legislativa de São Paulo, mas também conta com um histórico bem interessante: o atual deputado foi o promotor de justiça que ficou conhecido por perseguir as torcidas organizadas do estado de São Paulo nos anos 90, após uma briga violenta entre torcedores do São Paulo e Palmeiras, em 1995.

Não por acaso, as organizadas do Corinthians tem utilizado faixas contra Capez dentro dos estádios. Por diversas vezes neste ano, a Polícia Militar acabou entrando em confronto com os torcedores na arquibancada por conta dessas faixas, que criticavam também a Federação Paulista de Futebol (FPF), a CBF e a Rede Globo. Agora, as faixas estão previamente proibidas de entrarem no estádio.

Outro ponto dessa teoria de Juca é o caso envolvendo violência contra o presidente da Gaviões da Fiel no começo de março deste ano. Isso ocorreu após uma reunião entre líderes de diferentes organizadas e o promotor Paulo Castilho, no Fórum da Barra Funda. Naquele momento, a maior suspeita dentro da própria Gaviões era uma possível retaliação contra as manifestações envolvendo Capez.

Porém, na sexta-feira (01), o cenário mudou.

Na manhã da sexta, a Polícia Civil invadiu a sede da organizada em São Paulo, com um mandato de busca e apreensão. A ação foi motivada pela suspeita de que os intrumentos utilizados para agredir o presidente da Gaviões estivessem na sede da torcida. A inspeção durou cerca de 2 horas, e os policiais acabaram saindo do prédio sem nenhuma prova.

Poucas horas depois, a Polícia Civil prendeu o torcedor da Mancha Verde, Deivison Correia, pela agressão contra o presidente da Gaviões.

Isso tudo ocorreu 2 dias antes do clássico no Pacaembu, no domingo.

Segundo Juca Kfouri, a ação da polícia poderia muito bem ter sido realizada após a realização do clássico, para evitar o acirramento dos ânimos entre os torcedores dois dias após a prisão do torcedor da organizada palmeirense. O jornalista também questiona a invasão na sede da Gaviões apenas duas horas antes da prisão de Deivison — a polícia parecia não ter certeza por absoluto de quem havia cometido o crime, e por isso ainda procurava por provas. Mesmo não encontrando, poucas horas depois, prendeu um torcedor de outra organizada.

Seguindo a “teoria”, a inteligência dos setores de segurança do estado foram questionadas pelos jornalistas do programa da ESPN. As chances de briga entre as duas organizadas era muito óbvia, já que a prisão ocorreu apenas dois dias antes do jogo. E mesmo assim não houve o menor monitoramento por parte da polícia, e muito menos o acompanhamento desses torcedores até o estádio. Não é novidade alguma o trajeto dessas organizadas até o Pacaembu pelas linhas de metrô da cidade. Mesmo assim, brigas ocorreram na estação do Brás e Barra Funda, sem a presença de um policial militar sequer.

O jornalista esportivo Juca Kfouri, no ano passado, em entrevista ao Democratize | Foto: Francisco Toledo/Democratize

Em uma rápida decisão — e sem a menor apuração — , o governo estadual determina a torcida única nos clássicos, com ainda outros termos envolvendo faixas e adereços.

Ou seja: a possibilidade de figuras dentro do governo estadual, juntamente com o deputado Fernando Capez terem “armado” isso é grande, se formos considerar essa teoria.

Trata-se de um verdadeiro golpe contra o futebol popular, em diversos aspectos. Clássicos com torcida única não fazem o menor sentido quando essas brigas ocorrem fora do estádio e sem a menor supervisão das forças de segurança. E pior, proibir faixas e adereços das organizadas quando não existe torcida rival no estádio não faz o menor sentido, revelando-se como uma medida que tem como um único objetivo: calar a voz dos protestos contra o deputado Fernando Capez, a Rede Globo e as instituições que cuidam do futebol no estado e no Brasil.

A violência dentro dos estádios e envolvendo torcidas organizadas é uma verdadeira arma para ganhos políticos. Não por acaso, Capez que era nos anos 90 promotor, acabou se tornando deputado e presidente da assembleia de São Paulo. Hoje é investigado pela própria justiça, o que mostra o quão suspeito foi a sua ação na década antepassada contra as próprias organizadas.

Enquanto isso, o futebol moderno continua se consolidando.

By Democratize on April 6, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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