Não existe melhor exemplo do “modo PMDB de governar” do que o Rio de Janeiro — seja na capital ou no estado. Os Jogos Olímpicos deste ano j…

A herança maldita dos Jogos Olímpicos e o “jeitinho PMDB” de governar

A herança maldita dos Jogos Olímpicos e o “jeitinho PMDB” de governarNão existe melhor exemplo do “modo PMDB de governar” do que o Rio de Janeiro — seja na capital ou no estado. Os Jogos Olímpicos deste ano j…


A herança maldita dos Jogos Olímpicos e o “jeitinho PMDB” de governar

Foto: Roberto Castro/ME

Não existe melhor exemplo do “modo PMDB de governar” do que o Rio de Janeiro — seja na capital ou no estado. Os Jogos Olímpicos deste ano já causaram estragos que nenhuma medalha de ouro conseguirá reparar.


Quem já leu o plano político do PMDB com o documento “Ponte para o Futuro” já imagina como seria “essa ponte”.

Ela se chama Jogos Olímpicos.

Com o prefeito Eduardo Paes (PMDB) no front da organização dos jogos, as Olímpiadas deste ano no Rio de Janeiro já são motivo de polêmica faz muito tempo.

E agora com Michel Temer assumindo a presidência de forma interina, podemos ter uma noção do que esperar se formos nos espelhar pelo exemplo do Rio de Janeiro — tanto no estado quanto na cidade, ambos governados pelo PMDB.

É verdade: o governo federal, então comandado pelos petistas, também conta com uma grande parcela de culpa nisso tudo. Não podemos esquecer que o PMDB é o que é hoje no Rio de Janeiro por conta das alianças e apoio político petista ao prefeito Eduardo Paes, e os governadores Pezão e Sérgio Cabral. Mas é exatamente disso que estamos falando. Esse é o “jeitinho PMDB” de governar: se construir através de alianças políticas descartáveis para conseguir aplicar aquilo que deseja.

Mas se você quer ter um pouquinho de noção do que esperar do plano “Ponte para o Futuro”, basta seguir aquilo que já foi anteriormente praticado pelo governo Dilma Rousseff na Copa do Mundo de 2014 — só que com mais agressividade.

Por exemplo, segundo levantamento do Instituto Igarapé, cerca de 100 mil pessoas devem ter perdido suas casas entre 2009 e 2016 por conta de obras dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. São brasileiros que tiveram seus lares removidos para a construção de estádios, arenas e obras de infraestrutura.

“O país perdeu uma grande chance de aproveitar esse momento de estar sob os holofotes e como centro de investimentos para se desenvolver de forma mais planejada e celebrar de fato o potencial do país”, afirma Robert Muggah, diretor do Igarapé, que estuda o assunto desde 1999. “A ênfase em infraestrutura que pode ser deixada de lado, como estádios, foi colocada a frente de algo que será aproveitado por todos, como transportes.”

O jeitinho PMDB, que nos holofotes da grande mídia nos dias de hoje se mostra “conciliador” e “em busca de normalizar os cofres públicos”, não se repete naquele que foi adotado para os Jogos Olímpicos.

A Autoridade Pública Olímpica divulgou no começo deste ano o resultado de uma revisão de custos dos Jogos Olímpicos. O montante total necessário para organizar o evento foi inflacionado R$400 milhões em relação à última estimativa, que havia sido divulgada em agosto de 2015, e chegou a R$39,1 bilhões.

A última revisão de gastos dos Jogos Olímpicos de 2016 havia sido apresentada no dia 21 de agosto de 2015, quando o custo total do evento atingiu R$ 38,7 bilhões. O valor representou um acréscimo de R$ 500 milhões em relação à estimativa de 24 de abril do mesmo ano (R$ 38,2 bilhões), que por sua vez caracterizou um salto de R$ 500 milhões desde a projeção de 28 de janeiro (R$ 37,7 bilhões).

Não podemos esquecer, claro, da qualidade das obras promovidas pela prefeitura de Paes para os Jogos Olímpicos.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O desabamento do trecho de uma ciclovia inaugurada em janeiro deste ano deixou dois mortos no Rio de Janeiro. Para a imprensa, Paes disse que “quer achar os culpados pelo acidente” — mas ao mesmo tempo admitiu sua responsabilidade no desabamento: “Sou totalmente responsável. Em última instância, é a prefeitura que executou a obra. Não vamos brincar com esse tipo de coisa. O prefeito assume suas responsabilidades porque, em última instância, é quem designa os dirigentes do município”.

Esse tem sido o padrão adotado no Rio de Janeiro para obras nos últimos anos.

Ao contrário de seguir o padrão de outras grandes capitais do mundo, a prefeitura preferiu investir no chamado BRT do que no metrô. O resultado não tem sido muito positivo.

Relatos de passageiros criticando a lotação dos ônibus são rotineiros no Rio de Janeiro. Outro aspecto negativo é a Transolímpico, a segunda via expressa municipal com cobrança de pedágio e a primeira integrada a um BRT. A obra, que será inaugurada no próximo mês, irá começar do melhor jeito possível: incompleta. A operação do novo BRT (que liga os parques olímpicos de Deodoro e Barra) será parcial durante os Jogos.

Sobre isso, o prefeito disse: “Não estamos inaugurando uma obra incompleta. O funcionamento do BRT é que sempre começa aos poucos”.

A população, claro, já não acredita mais nesse discurso. Não por acaso, o deputado estadual pelo PSOL, Marcelo Freixo, é o grande favorito para ocupar o lugar de Eduardo Paes na prefeitura do Rio.

Será que afinal, são os Jogos Olímpicos do Rio a nossa ponte para o futuro?

By Democratize on May 20, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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