Em junho de 2013, o Movimento Passe Livre foi capaz de colocar centenas de milhares de pessoas nas ruas ao redor do Brasil, com protestos…

A herança das Jornadas de Junho de 2013

A herança das Jornadas de Junho de 2013Em junho de 2013, o Movimento Passe Livre foi capaz de colocar centenas de milhares de pessoas nas ruas ao redor do Brasil, com protestos…


A herança das Jornadas de Junho de 2013

Foto: Francisco Toledo/Democratize

Em junho de 2013, o Movimento Passe Livre foi capaz de colocar centenas de milhares de pessoas nas ruas ao redor do Brasil, com protestos agressivos que acabaram gerando uma conquista histórica. Dois anos depois, movimentos de direita acabaram por ocupando seu lugar na rua. O Democratize entrevistou Lúcio Gregori, ex-secretário de transportes de São Paulo e idealizador da tarifa zero sobre o tema.

Nós acompanhamos nesta última quinta-feira um protesto marcado pelo MPL no Teatro Municipal, no centro de São Paulo. O ato marcava o dia nacional de luta pelo transporte público.

Mas ao contrário do que pudemos ver em 2013 e nas primeiras manifestações contra o aumento em 2015, o movimento parece ter perdido o espaço conquistado de lá pra cá. Ao mesmo tempo, movimentos de rua de caráter mais conservador como o MBL (Movimento Brasil Livre), acabaram por conquistando boa parte do público de classe média despolitizado que havia ocupado e dado massa para as manifestações de junho de 2013, promovidas pelo MPL.

Além disso, o aumento da tarifa em São Paulo para R$3,50 e o fato de que o movimento, mesmo com diversos atos não ter conseguido derrubar a tarifa novamente, parece ter dado uma noção de derrota para a luta defendida pelo movimento. Mas não é bem assim.

O Democratize entrevistou o ex-secretário de transportes da prefeitura de São Paulo — ainda pela administração de Erundina, Lúcio Gregori. Ele também é um dos idealizadores do projeto de tarifa zero defendido pelo MPL, e afirma que o movimento conquistou vitórias que são pouco consideradas pela sociedade, mas que possuem uma importância ainda mais relevante do que o aumento da tarifa. Saca só.

Foto: Francisco Toledo/Democratize

Qual a importância das Jornadas de Junho para uma pauta como a tarifa zero?

Lúcio: As jornadas de junho amplificaram para o país como um todo, uma pauta de reivindicações que vinha sendo colocada pelo MPL desde 2006/2007 quando o movimento adotou a proposta da tarifa zero ao invés do passe-livre estudantil . Ao logo desse tempo houve momentos de maior repercussão das manifestações e outros de menor repercussão. Junho de 2013 teve uma enorme amplitude e, nacional, por variadas razões e que não cabe discutir aqui.

E como a tarifa zero seria aplicável em uma cidade como São Paulo nos dias de hoje?

Lúcio: Da mesma maneira que é aplicado o pagamento indireto em uma enorme quantidade de serviços públicos, além da saúde, educação e segurança pública. Assim por exemplo os serviços de coleta e destino final do lixo, iluminação pública, pavimentação e sinalização das ruas, abertura de avenidas, construção de pontes e viadutos etc, etc. Tudo isso , ao final, é “tarifa zero” ou seja, paga-se indiretamente através dos impostos. Porque não o transporte público?

Após as manifestações deste ano, ocorreu um racha interno dentro do movimento. Mesmo assim, a pauta continua e a mobilização também, com uma manifestação marcada para esta semana. A tarifa zero vai além dos movimentos e das organizações?

Lúcio: O MPL é o movimento que está absolutamente focado na Tarifa Zero, mas depois de junho de 2013 , a Tarifa Zero está incluída na pauta nacional de reivindicações por mais e melhores serviços públicos. Ao que eu saiba, a chamada crise do MPL , não é a primeira a acontecer nesses 9 a 10 anos. E provavelmente não é a última. São crises previsíveis em movimentos abertos, sem verticalidade e de maioria jovem e, por isso, com grande mudança e rotatividade de participantes.

Lúcio Gregori em palestra promovida pelo MPL | Foto: Reprodução/Youtube

Por fim, qual cidade no Ocidente possui um modelo democrático e de inclusão no transporte público, que possamos usar como referência em grandes capitais como São Paulo e Rio de Janeiro?

Lúcio: Tratando-se do Ocidente, podemos começar pro Agudos-SP que tem esse modelo de transporte desde 1993. Os EUA tem mais de 30 cidades . Tamanho não é documento, pois muito se diz que são só cidades pequenas e médias. O que importa é a capacidade de pagar ou de gerar mais receitas par tanto. Agudos teve arrecadação per cápita de R$3.237,00 e São Paulo 4.300,00 aproximadamente. No entanto em S.Paulo é mais difícil. Fica a questão. Porque será?


Veja outros pontos destacados por Gregori na entrevista exclusiva ao Democratize, e trechos de como foi o ato promovido pelo MBL nesta quinta-feira, por Francisco Toledo e Wesley Passos.

By Democratize on October 31, 2015.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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