Ao contrário do que o debate nas redes sociais e a grande mídia fazem parecer, existe um segmento dentro da esquerda no Brasil que preferiu…

A esquerda que apoia novas eleições gerais promete tomar as ruas dia 1º de abril

A esquerda que apoia novas eleições gerais promete tomar as ruas dia 1º de abrilAo contrário do que o debate nas redes sociais e a grande mídia fazem parecer, existe um segmento dentro da esquerda no Brasil que preferiu…


A esquerda que apoia novas eleições gerais promete tomar as ruas dia 1º de abril

Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

Ao contrário do que o debate nas redes sociais e a grande mídia fazem parecer, existe um segmento dentro da esquerda no Brasil que preferiu escolher um terceiro lado. O sindicato CSP Conlutas, do PSTU, promete parar as capitais do país no dia 1º de abril por novas eleições gerais.

O dia 1º de abril promete adicionar ainda mais emoções ao cenário político brasileiro. Isso porque um grupo de oposição ao governo Dilma pela esquerda começou a defender o já tradicional grito “que se vayan todos!”.

A CSP Conlutas e o Espaço de Unidade de Ação — um fórum amplo composto por entidades dos movimentos sindical, social e estudantil — convocou protestos para o dia 1º de abril, sexta-feira, por novas eleições gerais. Ao contrário do plano da oposição de direita composta por PSDB e aliados, uma possível eleição geral tiraria do poder não apenas Dilma Rousseff como também toda a chapa, inclusive o ex-presidente Michel Temer e seu PMDB. Além disso, o movimento também exige novas eleições para o Congresso.

Anteriormente, a ex-presidenciável pelo PSOL, Luciana Genro, havia defendido uma posição muito parecida.

Em carta publicada em seu site oficial, a socialista afirma que “mesmo Dilma tendo sido recentemente reeleita, já padece de absoluta falta de apoio popular”, citando a corrupção encontrada nos quadros do governo através da Operação Lava Jato, além da crise econômica e o reflexo disso nos trabalhadores, como o aumento do desemprego e a deterioração dos serviços públicos. Genro ainda diz:

“A proposta que apresento neste momento crucial para os rumos do país é que a derrota do impeachment seja acompanhada pelo governo Dilma assumindo a responsabilidade de propor que as eleições municipais de 2016 se transformem em eleições gerais para renovar todos os parlamentos e o Poder Executivo. Eleições sem financiamento privado, conforme decidido pelo STF, e com direitos iguais para todos os candidatos.”

O posicionamento, divulgado no final de 2015, gerou críticas de setores pró-governo e até mesmo de oposição de esquerda. Porém, de lá pra cá, muitos que criticavam passaram a apoiar o posicionamento da ex-presidenciável, levando em conta o protagonismo da direita nas ruas e a incapacidade do governo Dilma de derrotar o avanço conservador no Congresso.

E ao que parece, o movimento por novas eleições começa a ganhar corpo.

Divulgação/SindMetal/SJC

Trabalhadores da GM (General Motors) e da Hitachi, de São José dos Campos, protestaram na última sexta-feira (18) por novas eleições gerais, contra o governo federal e a oposição de direita ao governo. A ação, coordenada pelo Sindicato dos Metalúrgicos e a CSP Conlutas, reuniu cerca de 1.500 pessoas.

“De nada adianta tirar a Dilma e manter o governo nas mãos de outros políticos que, além de estarem envolvidos em corrupção, não atendem aos interesses da classe trabalhadora. Somos contra o impeachment, porque isto representaria passar o poder para o Michel Temer, Cunha ou Renan, e nada mudaria”, disse o presidente do sindicato, Antônio Ferreira de Barros, o Macapá.

Na manhã desta segunda-feira (21), foi a vez dos trabalhadores da Embraer, também do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, realizarem uma manifestação por eleições gerais no país, reunindo cerca de 3 mil trabalhadores.

Tudo isso faz parte de uma série de ações de “preparação” para o protesto do dia 1º de abril, que deve ocorrer em todas as capitais do Brasil.

A intenção, ainda segundo organizadores, é reunir os quadros de esquerda no país com direção a uma greve geral, convocada pelos trabalhadores e não por empresários.

Recentemente, o movimento estudantil Território Livre, protagonista das manifestações contra a Copa do Mundo em 2014, também decidiu se posicionar pela saída de todos — congressistas, governo e chapa aliada composta pelo PMDB. Porém, ainda não determinou se irá de fato apoiar ou não a mobilização por novas eleições gerais.

Considerado um verdadeiro “reforço” e o primeiro nome importante nas artes a apoiar novas eleições gerais, o cineasta José Padilha também se posicionou sobre o tema nos últimos dias.

O diretor de Tropa de Elite e da série Narcos afirmou que, como brasileiro, sua preferência “seria a cassação da chapa Dilma-Temer no TSE”, dizendo que “se o TSE tivesse a coragem de olhar para as campanhas e impugnar as chapas que receberam recursos ilícitos, tenho a impressão de que não sobraria nenhuma chapa relevante”, portanto “uma nova eleição seria o melhor caminho para o Brasil”.

De fato, ainda existe uma grande divisão dentro da própria esquerda se é preciso apoiar o governo Dilma Rousseff ou se posicionar de forma diferenciada sobre o tema.

O próprio PSOL divulgou nota oficial criticando as ações do juiz Sérgio Moro, denunciando que “representam claro uso político da Justiça”, “comprometendo o trabalho desenvolvido pela Operação Lava Jato”. A bancada do partido no Congresso reafirmou que é contra a saída pelo impeachment, “gestada pelos partidos da oposição conservadora, pelo grande capital e pelos grandes meios de comunicação”. A posição contraria a carta de Luciana Genro divulgada no final do ano passado, e até mesmo de outros quadros do próprio partido, como o vereador do Rio de Janeiro, Babá, que já se posicionou nas redes sociais a favor do “fora todos”.

Ainda não se sabe qual o futuro dessa mobilização pela esquerda, porém trata-se de um movimento que conquista cada vez mais adesão.

By Democratize on March 21, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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