A Fundação das Artes, mais conhecida como Funarte, foi ocupada por artistas e manifestantes contra o fechamento do Ministério da Cultura…

A Cultura se levanta e promete resistir contra o governo Temer

A Cultura se levanta e promete resistir contra o governo TemerA Fundação das Artes, mais conhecida como Funarte, foi ocupada por artistas e manifestantes contra o fechamento do Ministério da Cultura…


A Cultura se levanta e promete resistir contra o governo Temer

Foto: Alice V/Democratize

A Fundação das Artes, mais conhecida como Funarte, foi ocupada por artistas e manifestantes contra o fechamento do Ministério da Cultura. Mas a mobilização da classe artística vai além. Para eles, o fechamento do MinC é só uma das mazelas provocadas por um governo sem legimitidade, como o de Michel Temer.


Você sabe quanto foi o orçamento destinado ao Ministério da Cultura em 2015?

Foram apenas R$2,6 bilhões. Sim, parece muita coisa vendo dessa forma, mas vamos citar outros gastos do governo federal para você entender e fazer a comparação.

  • Pagamento de pensões vitalícias para filhas de militares em 2015: R$3,8 bilhões
  • Pagamento de juros e amortizações da dívida pública em 2015: R$1,356 trilhão (sim, você não leu errado, e trilhão mesmo)

Enquanto a Cultura recebeu menos verba no ano passado do que o orçamento disponibilizado para o pagamento de pensões vitalícias para uma porcentagem que não representa nem 0,10% da popução brasileira, o Estado gasta um valor absurdamente caro e expressivo com o pagamento de juros da dívida pública — esse repasse parte para grandes bancos, investidores e instituições financeiras.

Mas, para o novo presidente interino Michel Temer (PMDB), parece que “é mais fácil” cortar a Cultura do que enfrentar o que realmente detona os cofres públicos.

Mas não vai ser tão fácil assim. Veja a reportagem abaixo.

Manifestantes e classe artística estão se mobilizando contra a extinção do Ministério da Cultura, promovido pelo novo governo.

Recentemente, a Fundação das Artes (mais conhecida como Funarte) foi ocupada por artistas e apoiadores da causa, na região do Centro de São Paulo. Foi exatamente para lá que uma manifestação convocada com o grito “Fora Temer” reunindo pelo menos 5 mil pessoas partiu no final da tarde desta terça-feira (17).

Para o ator Pascoal da Conceição, o famoso Doutor Abobrinha do Castelo Rá-Tim-Bum, é assim que tem que ser a resistência contra o novo governo: na rua.

“Não vai ser possível sacar o que tá acontecendo no Brasil hoje se a gente não for pra essa coisa coletiva, porque não vai saber isso [fechamento do MinC e resistência contra Temer] na televisão, não vai saber disso no jornal, não vai saber disso pelo seu vizinho… a resposta para essa questão está na rua”, disse o ator ao Democratize, em evento contra o fechamento do MinC no Teatro Oficina.

O Teatro Oficina se mobiliza contra o fechamento do MinC | Foto: Alice V/Democratize

Além de Pascoal, outros ícones da cultura brasileira também marcaram presença no Oficina nesta terça-feira (17), como o musico e guitarrista da banda IRA, Edgard Scandurra, que chegou a conversar com a platéia.

Na ocupação da Funarte, cartazes e faixas contra Michel Temer marcavam o posicionamento dos manifestantes e artistas.

Para o artista Mariano Mattos Martins, o momento é de união da classe artística e da esquerda. “Hoje é um dia em que talvez a gente consiga sentir uma centelha de uma unificação da esquerda”, disse Mariano, que participa da ocupação da Funarte.

Na manhã desta terça, a equipe do filme Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, realizou um protesto contra Michel Temer no festival de Cannes, mostrando o nível de insatisfação da classe artística contra o novo governo e o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.

Enquanto isso, carros de polícia rondavam as mediações da Funarte. Uma moradora e vizinha do prédio questionou a ação da polícia.

“Se eles estão querendo que a gente viva em uma ditadura, que façam essa merda direito. Já bota pra foder logo […] Eu moro a dois quarteirões daqui, e eu chego na minha rua e vejo um arsenal desse [policial]. Um monte de camburão, um monte de polícia, Tropa de Choque na minha rua? Por que?”.

Ocupação na Funarte | Foto: Alice V/Democratize

A pasta da Cultura se juntou a da Educação, se tornando o Ministério da Educação e Cultura, hoje liderada pelo ministro Mendonça Filho, do DEM. Quando Mendonça assumiu o governo do Pernambuco em 2005, quando Jarbas Vasconcelos saiu do governo para se candidatar ao Senado. A partir dai, ganhou força o processo de privatização das escolas estaduais do estado, projeto “experimental” que alcançou 14 unidades e depois foi alterado e expandido por Eduardo Campos.

A Comissão de Educação e Cultura do Senado já demonstrou resistir contra a nomeação de Mendonça, aprovando nesta terça-feira um requerimento do senador Randolfe Rodrigues (REDE), convocando o ministro para explicar a extinção do Ministério da Cultura e a migração de suas atribuições para o MEC.

Além de toda essa polêmica, Mendonça também é alvo de investigações e casos de corrupção na Justiça. Durante a Operação Castelo de Areia, deflagrada pela Polícia Federal em 2009, foi divulgado um grampo em que quatro diretores da Construtora Camargo Corrêa citam que Mendonça, então candidato à prefeitura de Recife, teria recebido pelo menos 100 mil reais.

Foto: Alice V/Democratize

Mendonça segue exatamente o mesmo padrão de outros ministros indicados pelo presidente interino Michel Temer.

Em menos de uma semana, declarações polêmicas partindo de novos ministros acabaram viralizando nas redes sociais e aumentando o questionamento sobre a capacidade de articulação política e legitimidade do novo governo.

Pelo menos 3 ministros de Temer já “mudaram de opinião” sobre declarações dadas anteriormente quando já indicados em seus cargos, por conta de polêmicas.

Enquanto isso, a Cultura mostra que terá um papel importante na resistência contra esse novo governo, indo além da extinção do MinC e pautando principalmente a legitimidade — ou a falte de — de Michel Temer na presidência.

Veja mais fotos da mobilização nesta terça-feira, por Alice V.

By Democratize on May 18, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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