Ao contrário do que foi divulgado pela mídia pró-governo nas redes sociais, ou pelos grupos pró-impeachment, nenhum lado é mais corrupto do…

A Comissão que votou pelo relatório do impeachment é corrupta — de ambos os lados

A Comissão que votou pelo relatório do impeachment é corrupta — de ambos os ladosAo contrário do que foi divulgado pela mídia pró-governo nas redes sociais, ou pelos grupos pró-impeachment, nenhum lado é mais corrupto do…


A Comissão que votou pelo relatório do impeachment é corrupta — de ambos os lados

Foto: Fotos Públicas

Ao contrário do que foi divulgado pela mídia pró-governo nas redes sociais, ou pelos grupos pró-impeachment, nenhum lado é mais corrupto do que o outro no que se refere aos votos na Comissão do Impeachment, que aprovou recentemente seu relatório final. Dos dois lados existem parlamentares com pendência na Justiça.

A Comissão que analisava o pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff aprovou recentemente o relatório final. Por 38 votos contra 27, a aprovação foi celebrada pela oposição e pelos movimentos pró-impeachment.

Não demorou muito pra começar o FlaFlu sobre a legitimidade dessa comissão.

Apoiadores do governo Dilma Rousseff nas redes sociais, além de alguns meios de comunicação “alternativos” pró-governo, como o Mídia NINJA, divulgaram uma notícia completamente distorcida sobre a quantidade de deputados investigados na Justiça por corrupção participando da votação nessa Comissão.

Parafraseando o canal Porta dos Fundos, as informações foram “muito bem explicadas através de memes no Facebook”:

Apenas me expliquem isso! Como pode quem que os
Apenas me expliquem isso! Como pode quem que os interessados no impeachment queiram de fato acabar com a corrupção se a…www.facebook.com

O meme (de oridem desconhecida) apontava que dos 38 deputados que votaram a favor da aprovação do relatório, pelo menos 35 eram “corruptos”. Já dos 27 que se posicionaram contra sua aprovação, apenas 2 seriam “corruptos”.

Sem fonte ou mais informações, mais de 12 mil pessoas compartilharam o meme através do post do cantor Tico Santa Cruz, obtendo mais de 29 mil curtidas.

O problema é que trata-se de uma informação falsa.

O site E-Farsas, especialista em desvendar notícias fajutas nas redes sociais — muitas vezes contra algum nome do Partido dos Trabalhadores — realizou um trabalho de base para averiguar a veracidade dessa notícia.

E claro, descobriu que a informação era falsa, os números não batiam.

Dos 65 parlamentares que votaram na Comissão Especial do Impeachment, 37 têm ocorrências na Justiça e/ou nos Tribunais de Contas. Segundo levantamento da Revista Piauí, são mais de 129 registros se forem somados todos os processos, pois em 25 casos, um mesmo parlamentar possui mais de uma ocorrência. A tabela completa pode ser lida aqui!

Dos 38 deputados que que votaram a favor do pedido de impeachment, “apenas” 21 possuem “pendências” na Justiça. A lista dos parlamentares que votaram “sim” é essa.

Já, do lado dos 27 deputados que votaram contra o impeachment, 16 têm algum tipo de ocorrência na Justiça. Aqui a lista dos deputados que votaram “não”.

Veja abaixo como seria o gráfico correto:

Gráficos por Democratize

Porém, não é apenas artistas contra o impeachment ou meios de comunicação duvidosos que promovem esse tipo de desinformação.

Grupos pró-impeachment, como o Movimento Brasil Livre, também compartilharam notícias falsas com informações erradas sobre a quantidade de deputados investigados por corrupção na Comissão Especial que analisou o pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Isso, na realidade, é apenas um reflexo da falsa polarização entre dois grupos que, apesar da aparente distância ideológica, atuam de maneiras similares.

Segundo o site de notícias Huffpost Brasil, no âmbito completo do Congresso Nacional, a ong Transparência Brasil também apurou que 59% dos 513 deputados federais (303) são investigados por algum crimes, índice não muito melhor entre os senadores (49 dos 81–60% do total — respondem por alguma irregularidade na Justiça).

By Democratize on April 14, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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