Foto: Reprodução/Telesur

Argentina cruza os braços contra o femicídio

Na Argentina, esta quarta-feira (19) foi histórica, em um passo contra o machismo e o femicídio, sob o lema “Nem uma mais”. Mulheres realizaram uma paralisação nacional de uma hora e manifestações em várias cidades do país.

A greve de uma hora e o protesto nacional, na Argentina, foram convocados pelo movimento “#NiUnaMenos”, apoiados por movimentos e sindicatos após o assassinato brutal de uma jovem de 16 anos, Lucia Perez, em um mês onde foram registrados mais de 19 casos de femicídios, em 19 dias.

“A paralisação de mulheres surge após 31 anos de encontros, onde debatemos e trocamos ideias, instalamos uma agenda e elevamos demandas concretas a uma problemática urgente. É verdade que mortes recentes como a de Lucia e a da jovem que foi encontrada numa caixa de papelão em Córdoba puseram uma data concreta (para a paralisação), mas há muito mais pelo que marchar”, disse Florencia Alcaraz, integrante do “Ni Una Menos”.

O movimento aconselhou os homens sobre como devem proceder durante o protesto: colocar-se à diposição para que as mulheres pudessem participar do evento, gerar espaços de problematização do próprio machismo e assumir um lugar secundário e periférico na manifestação pública contra o machismo.

“A violência machista é um problema social que temos que enfrentar entre todos, mas (a participação dos homens), que pretende substituir as vozes das companheiras, disputar o protagonismo, invadir espaços de encontro entre elas aos que (homens) não são convidados, são também manifestações — ainda que mais sutis — de violência machista”, declarou o “Ni Una Menos” em nota.

As mulheres pararam durante uma hora, entre as 13 e 14h, vestindo-se de preto e clamaram: “Nós paramos”, “Nenhuma a menos”, “Viva nos Queremos” e “Justiça por Lucia”.

As estatísticas oficiais argentinas mostram que, desde 2008, a violência contra a mulher aumentou em 78%. O Registro Argentino de Femicídios estima que duas em cada dez mulheres assassinadas no país tenham feito queixas prévias de violência. Segundo as mesmas estatísticas, citadas pelo Pagina 12, em 2015 na Argentina foram denunciadas 3.746 violações, o que representa uma taxa de 9,7 violações por cem mil habitantes, havendo 13.520 vítimas de delitos sexuais (31,3 por cem mil habitantes). A Oficina de Violência Doméstica recebe cerca de 900 denúncias por mês, 71% das quais o agressor é ou foi companheiro da vítima.

Sobre Lucia Perez

No dia 15 de outubro, a jovem de 16 anos Lucia Perez foi drogada, violentada sexualmente e morta por empalamento na cidade de Mar del Plata, na Argentina. Os assassinos ainda lavaram o corpo e o levaram para o hospital na tentativa de apagar os resquícios da violência e evitar, sem sucesso, uma prisão.

Até o momento, dois homens foram presos, mas, após um exame, as autoridades do país afirmaram que existe uma terceira pessoa envolvida.

A mãe de Lucia Perez apelou às argentinas que participassem das manifestações “para pedir justiça e para que não haja mais Lucias”.

Paralisação relembra exemplo na Polônia

Mulheres na Polônia também realizaram recentemente uma paralisação nacional e manifestações contra uma proposta do governo, que tinha como objetivo limitar ainda mais a prática do aborto no país.

Neste caso, as polonesas conquistaram uma vitória histórica, obrigando o governo a recuar sobre a medida.

Posts Relacionados

On Top
error: Para reproduzir o conteúdo do Democratize, entre em contato pelo formulário.
%d blogueiros gostam disto: