Foto: Christopher Polk/Getty Images

A ação violenta contra o MST e a onda de solidariedade internacional ao movimento

A invasão na Escola Nacional Florestan Fernandes pela polícia despertou uma onda de solidariedade internacional ao Movimento Sem Terra. Grupos políticos e personalidades condenaram a repressão arbitrária e manifestaram apoio aos sem-terra.

Na manhã da última sexta-feira, cerca de 10 viaturas da Polícia Civil e Militar invadiram a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) em Guararema, São Paulo. As autoridades justificaram a invasão com o argumento de que pretendiam executar o mandato de prisão de Margareth Barbosa de Souza. Segundo testemunhas no local, os agentes da polícia saltaram pelo portão da escola e pela janela, disparando balas de munição letal.

A ação ocorreu no âmbito da Operação Castra, que tem como alvos integrantes do MST. Duas pessoas acabaram sendo detidas por desacato, entre as quais um doente de Parkinson com 70 anos.

De acordo com a diretora da ENFF, ninguém no local conhecia Margareth: “Eles agrediram uma mulher grávida, estavam totalmente descontrolados. Foi uma ação que atinge os direitos dos trabalhadores, uma violência absurda”, descreveu Rosana Fernandes.

Em comunicado, o MST salienta que a “ação faz parte da continuidade do processo histórico de perseguição e violência que o MST vem sofrendo em vários estados” e denuncia “a escalada da repressão contra a luta pela terra, onde predominam os interesses do agronegócio associado a violência do Estado de Exceção”.

No seu Twitter, Leonardo Boff destaca que o “reacionarismo do atual governo pode provocar reações violentas de grupos que lembram 1968 com ações que não queremos sequer recordar”. “Passo a passo este governo usurpador de direitos mostra que a única linguagem que conhece com o povo é a violência arbitrária, a bala”, assinala Boff, acrescentando que “vivemos num Estado de exceção. Para os que detém poder vale tudo, não há constituição, nem leis. O poder do direito virou o direito do poder”.

Além de Leonardo Boff, o ator Wagner Moura e o músico e compositor Lirinha gravaram vídeos de apoio e solidariedade ao MST.

“Se alguém tinha dúvidas de que o Brasil vive um estado de exceção, um estado policialesco, a invasão da escola Florestan Fernandes pela polícia é uma demonstração covarde de truculência, típica de um Estado de exceção”, disse Moura.

O cantor e compositor Lirinha, que integrava o grupo Cordel de Fogo Encantando, estava na escola no momento da invasão. “[Esta é] mais uma prova de que estamos em um estado de suspeição da democracia. Eu estou agora dentro da escola nacional Florestan Fernandes, vim participar uma palestra sobre cultura popular, e no meio da palestra escutamos tiros”.

A par de políticos, intelectuais, professores, juízes, as manifestações de solidariedade surgem ainda de artistas como o desenhista Carlos Henrique Latuff e o pintor e muralista equatoriano Pavel Éguez.

Além disso, organizações da sociedade civil e personalidades convocaram uma iniciativa contra a Criminalização dos Movimentos Populares e em Solidariedade à Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF).

A iniciativa, que reuniu ativistas de pelo menos 36 países, como África do Sul, Canadá, Cuba, Egito, Estados Unidos, Gana, Índia, Marrocos, Nepal, Nigéria, Senegal, Síria e Palestina, contou com a participação de políticos e parlamentares como o ex-presidente Lula, o senador Lindbergh Farias, o deputado federal Ivan Valente e o vereador e presidente do PCdoB em São Paulo, Jamil Murad.

Entre as várias centenas de pessoas presentes, contaram-se ainda representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE), do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), do Levante Popular da Juventude e do Coletivo Democracia Corinthiana.

Em comunicado oficial, o ex-guitarrista da banda Rage Against the Machine, Tom Morello, também prestou solidariedade ao movimento, lembrando sua antiga história de apoio aos sem-teto e aos movimentos campesinos na América Latina.

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