Durante a semana, o presidente Michel Temer minimizou e ridicularizou os protestos contra o seu governo. No domingo (4), mais de 100 mil…

40, 50? Mais de 100 mil pessoas protestam contra Temer em São Paulo

40, 50? Mais de 100 mil pessoas protestam contra Temer em São PauloDurante a semana, o presidente Michel Temer minimizou e ridicularizou os protestos contra o seu governo. No domingo (4), mais de 100 mil…


40, 50? Mais de 100 mil pessoas protestam contra Temer em São Paulo

Foto: Wladimir Raeder/Democratize

Durante a semana, o presidente Michel Temer minimizou e ridicularizou os protestos contra o seu governo. No domingo (4), mais de 100 mil pessoas lotaram as ruas de São Paulo, na maior manifestação registrada na semana. Após a violência da polícia, podemos esperar algo ainda maior nos próximos dias.


Após uma semana de protestos em diversas capitais do Brasil contra o seu governo, o presidente Michel Temer havia ridicularizado e minimizado as manifestações, reduzindo o grupo de milhares de pessoas para “40, ou 50”. Não satisfeito, ainda preferiu falar sobre a “violência dos manifestantes” ao invés de destacar a repressão policial, que foi a marca da semana em São Paulo.

Porém, neste domingo (4) a história foi diferente.

Como se fosse um verdadeiro “cala a boca” para o presidente, mais de 100 mil pessoas lotaram a Avenida Paulista no maior protesto registrado nesta semana contra Michel Temer, em São Paulo.

E não foi fácil: dias antes do protesto, o governo federal havia ameaçado enviar as Forças Armadas para reprimir os manifestantes, por causa da passagem da tocha paraolímpica na Avenida Paulista. O governo estadual também havia avisado que não permitiria o protesto.

Porém, após uma reunião organizada pelo prefeito Fernando Haddad (PT), ficou combinado que a manifestação atrasaria cerca de duas horas para não haver conflito.

Fotos: Fernando DK/Democratize

Dito e feito. Às 16h30, milhares de manifestantes já ocupavam o vão livre do Masp.

Em uma caminhada totalmente pacífica, o protesto seguiu até o Largo da Batata, próximo do metrô Faria Lima. A multidão gritava palavras de ordem contra o presidente Michel Temer, enquanto a polícia monitorava o protesto nas ruas paralelas, com blindados e helicópteros.

Crianças, idosos e jovens eram maioria. Ao contrário das outras manifestações organizadas pela Frente Povo Sem Medo, o maior protagonista do protesto não foram os movimentos sociais organizados, e sim a própria população que resolveu aderir ao “Fora Temer”.

E nesse clima de “paz”, ninguém imaginava que pudesse haver qualquer forma de violência por parte dos policiais. Mas aconteceu.

Após o coordenador nacional do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Guilherme Boulos, anunciar no carro de som que a manifestação havia sido encerrada, uma confusão começou na entrada do metrô Faria Lima. A Polícia Militar, que nem havia sido acionada pelos funcionários da estação, resolveu agir.

Bombas e balas de borracha foram disparados, surpreendendo os manifestantes que já estavam indo para suas casas.

Foto: Fernando DK/Democratize

No carro de som, Boulos criticava a ação da Polícia Militar: “Eles estão fazendo isso para nos provocar”, gritava. Enquanto isso, a violência se alastrava por outras vias da região, enquanto manifestantes que resistiam montavam barricadas com sacos de lixo e fogo nos cruzamentos das ruas.

Foram vários os casos de truculência policial desproporcional registrados.

Um homem, chamado Helio Leandro, se posicionou em frente ao caminhão da Tropa de Choque, que disparava água contra os manifestantes. Com os braços abertos, queria impedir a continuidade da agressão.

Helio acabou sendo detido a força por vários policiais, sendo puxado pelos cabelos para dentro do caminhão. Teoricamente, trata-se de uma prisão fora do comum, sem qualquer justificativa e que não segue a norma da Polícia Militar — o ideal seria que o manifestante fosse algemado e encaminhado para uma viatura comum, e não para um caminhão utilizado para conter manifestações com vários policiais dentro.

O rapaz foi encaminhado para o 14DP, com graves lesões na cabeça, sendo liberado horas depois. Ao Democratize, ele nos contou sobre as ameaças recebidas.

Outro caso registrado pela nossa equipe aconteceu em um bar nas proximidades do Largo da Batata. Manifestantes e frequentadores gritavam “não vai ter selfie” para uma viatura da PM, em referência aos protestos a favor do impeachment, onde as pessoas tiravam fotos sorridentes com os policiais. De forma completamente autoritária, os policiais atiraram spray de pimenta dentro do bar.

Pelo menos uma mulher passou mal dentro de um ônibus após a Polícia Militar disparar gás lacrimogêneo do lado do automóvel, sendo socorrida pelos passageiros. Um rapaz levou um tiro de bala de borracha na costela durante a repressão. Clientes de outros bares reclamavam durante a noite da truculência policial, alegando que policiais disparavam artefatos contra os estabelecimentos.

Mães relatavam que tiveram de fugir correndo com suas filhas de colo, por causa da violência por parte da PM.

Mais cedo, ainda na concentração do protesto na Avenida Paulista, uma mulher já havia sido atingida por spray de pimenta após discutir com um policial.

Foto: Fernando DK/DemocratizeFotos: Gustavo Oliveira/Democratize

Casos graves de autoritarismo foram registrados antes mesmo do protesto começar.

Mais de 20 estudantes secundaristas foram presos no Centro Cultural São Paulo, nas proximidades do metrô Vergueiro. Eles estavam fazendo uma reunião quando foram abordados pela polícia, sendo detidos sob a acusação de serem “black blocs”. Na delegacia, policiais não permitiram a entrada de advogados por horas, até que o ex-senador Eduardo Suplicy (PT) chegasse ao local.

Eles serão indiciados por Corrupção de Menores e Associação Criminosa. Segundo informações da Revista Vaidapé, um dos menores detidos alegou que uma barra de ferro foi forjada.

Pelo menos outros 6 manifestantes haviam sido presos ainda na Avenida Paulista, por “parecerem black blocs”.

Mesmo após tanta violência, os manifestantes prometem continuar com os protestos durante a semana.

Nesta quarta-feira (7), dia da Independência, um protesto está marcado para acontecer às 14 horas, na Praça da Sé. No dia seguinte, a Frente Povo Sem Medo já convoca sua segunda manifestação, no Largo da Batata a partir das 18 horas.

Foto: Fernando DK/Democratize

By Democratize on September 5, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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