Em menos de seis meses, o Democratize conseguiu captar nas ruas tudo o que marcou o ano de 2015: coisas ruins, como a chacina em Osasco no…

2015 foi um ano meio louco — e estivemos na rua registrando tudo

2015 foi um ano meio louco — e estivemos na rua registrando tudoEm menos de seis meses, o Democratize conseguiu captar nas ruas tudo o que marcou o ano de 2015: coisas ruins, como a chacina em Osasco no…


2015 foi um ano meio louco — e estivemos na rua registrando tudo

Protesto pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT), em São Paulo | Foto: Felipe Malavasi/Democratize

Em menos de seis meses, o Democratize conseguiu captar nas ruas tudo o que marcou o ano de 2015: coisas ruins, como a chacina em Osasco no mês de agosto; outras boas, como a mobilização dos secundaristas em São Paulo contra a reorganização do ensino; e até algumas engraçadas, como os protestos pelo impeachment da presidenta Dilma. Admitam: foi um ano meio louco.

Já estamos na última semana de 2015, porém parece que o ano está muito longe de acabar. Não é por acaso, foi um ano meio louco.

Foi tão louco que parece que esperou a Agência Democratize nascer para de fato começar.

Imagine só: logo na primeira semana de trabalho da agência, ocorreu a lamentável chacina que tirou mais de 19 vidas na Grande São Paulo, principalmente em cidades como Osasco e Barueri, na Zona Oeste. E três dias depois do ocorrido, um grande protesto era esperado para ocorrer em várias cidades do Brasil pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT).

Logo de cara, duas pautas da mais extrema importância, e um pouco mais de 10 pessoas começando um trabalho juntos — alguns nem se conheciam, outros já porém nunca haviam trabalhado em conjunto. Mesmo assim, aceitamos o desafio.

Protesto por paz e justiça após a chacina em Osasco | Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

E não foi fácil. Logo na primeira reunião de equipe, um dia antes do protesto em São Paulo, ficamos sabendo que alguns moradores e ativistas fariam uma manifestação no bairro do Jardim Munhoz, exigindo explicações e justiça em relação aos assassinatos.

Então nos dividimos em duas equipes: uma em Osasco, e outra na Avenida Paulista. O objetivo era pautar a gritante diferença entre ambos os atos, exigindo uma reflexão moral sobre o acontecimento. Enquanto em Osasco os ‘democratizeiros’ Reinaldo Meneguim, Cae Oliveira e Francisco Toledo tomavam a frente, em São Paulo eram Gabriel Lindenbach, Wesley Passos e Sarah Ferreira.

O resultado você confere no vídeo abaixo:

Por ser a primeira pauta do Democratize, e pela enorme importância e responsabilidade que foi assumir um trabalho como esse, continuamos acompanhando as investigações até hoje. Constatamos a ineficiência do secretário de Segurança Pública do Estado, Alexandre de Moraes, e sua interferência direta através da Polícia Militar nas investigações feitas pela Polícia Civil.

E seguindo o padrão histórico das chacinas no Brasil, foi confirmado posteriormente aquilo que todo morador do Jardim Munhoz com o qual conversamos já sabiam: o envolvimento direto de policiais militares no assassinato de mais de 19 inocentes.

Outro fato marcante que o Democratize marcou presença foi sobre a ação repressora da prefeitura de São Paulo, de Fernando Haddad (PT) com os moradores das malocas do Centro.

A atitude autoritária da Guarda Civil Municipal, que em 2015 realizou uma série de intervenções violentas com moradores de rua e de malocas na região do Centro, com o simples objetivo de higienização da cidade. Porém, como constatamos, a comunidade não abaixou a cabeça e resistiu, ocupando prédios da prefeitura e exigindo um processo democrático e horizontal sobre as decisões tomadas pela mesma em relação com as malocas.

Conversamos com uma das figuras mais importantes na luta por direitos humanos em São Paulo, o padre Julio Lancellotti, em um trabalho feito por Gabriel Soares e Francisco Toledo.

Outro personagem que marcou presença quase que mensalmente nas pautas do Democratize foi o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

E o primeiro registro jornalístico da agência sobre o tucano foi em relação ao prêmio que o governador recebeu em Brasília, direto do Congresso, sobre “sua ação positiva com a crise hídrica em São Paulo” — o que muitos consideraram um verdadeiro tapa na cara da população, levando em conta a seca que o estado enfrentou no final de 2014 e o começo deste ano.

Intervenção contra a gestão tucana em São Paulo pela crise hídrica | Foto: Wesley Passos/Democratize

Mais uma vez nos dividimos em equipes. Em São Paulo, Francisco Toledo acompanhou uma audiência de apresentação do relatório sobre a crise hídrica em São Paulo, apresentado pelo Idec — Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor. Na Avenida Paulista, Gabriel Soares e Wesley Passos registraram um protesto encabeçado pela Minha Sampa e pelo Greenpeace. Já em Brasília, o democratizeiro e ativista Gabriel Lindenbach participou e registrou uma intervenção de entrega do prêmio “Torneira Seca” ao representante do governo do estado de São Paulo, durante a cerimônia.

Saca só como foi:

A real politik também foi uma pauta praticamente permanente do Democratize desde o mês de sua criação, em agosto deste ano.

Acompanhamos a fundação de uma nova frente de esquerda no Brasil, organizada pelo MTST e diversos movimentos sociais e sindicais como a CUT, além do apoio direto de partidos políticos como o PSOL e PCdoB, a Frente Povo Sem Medo.

Do outro lado da ponta da esquerda, vimos de perto a mobilização partindo de setores mais autônomos, como o PSTU, que convocou um grande ato em São Paulo reunindo mais de 10 mil pessoas, com palavras de guerra contra Dilma Rousseff e o Partido dos Trabalhadores, além de Eduardo Cunha e a oposição tucana ao governo. A ala governista também não se calou — com protestos gigantes em todo o Brasil “contra o golpismo da direita”.

Protesto convocado pelo PSTU e movimentos de esquerda contra PT e PSDB | Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

Vimos de perto neste ano o ataque em Brasília contra direitos trabalhistas, partindo tanto do Congresso quanto do Planalto. Foi a terceirização, que saiu fortalecida diante do ajuste fiscal convocado pelo governo petista, afetando diretamente o bolso do trabalhador.

O avanço conservador também saiu forte em relação ao direito de livre manifestação, com a lei que torna tipos específicos de protesto como um ‘ato terrorista’, incluindo ocupação e/ou depredação de patrimônio público.

E um dos movimentos que mais foram afetados por esse avanço contra as mobilizações populares foi o MPL, que depois da derrota em janeiro contra o aumento da tarifa em São Paulo, ocupou as ruas novamente em outubro durante a Semana Nacional pela Tarifa Zero.

Conversamos com o ex-secretário de Transporte Público da prefeitura de São Paulo, Lucio Gregori, e registramos o protesto de um dos movimentos mais importantes das duas últimas décadas no Brasil, com imagens de Francisco Toledo e Wesley Passos.

Mas talvez a resposta mais efetiva da sociedade civil contra o avanço conservador dos políticos em Brasília veio do sexo feminino, com a Primavera das Mulheres.

Por dias durante semanas consecutivas, dezenas de milhares de mulheres foram para as ruas exigindo a queda do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), diante do projeto de sua autoria onde dificultaria e criminalizaria o acesso de mulheres ao aborto legal — ou seja, aquele permitido pelo Estado. Além disso, o projeto também dificulta o atendimento para esses casos, forçando a mulher a primeiramente registrar um boletim de ocorrência em uma delegacia para que então possa ter uma consulta direta no Sistema Único de Saúde.

A resposta delas foi objetiva e direta. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, a população chegou a assistir duas manifestações consecutivas acontecendo um dia após o outro, reunindo dezenas de milhares de manifestantes.

Fotos: na esquerda, Fernando DK — na direita, Francisco Toledo, para o Democratize

Enquanto isso tudo rolava, a agência crescia cada vez mais.

Prova disso é a quantidade de conteúdo produzido sobre a jornada das mulheres nas ruas contra o projeto de Eduardo Cunha.

Nos dois vídeos abaixo, o trabalho foi feito em diferentes manifestações em São Paulo, produzido por diferentes colaboradores. No primeiro, o trabalho foi conduzido por Francisco Toledo, Paulo Silveira e Fernando DK. No segundo, ficou nas mãos de Sarah Ferreira.

E tudo isso ocorrendo faltando poucos meses para o fim de 2015.

Mas o melhor ainda estava por vir.

Em novembro, ocorrem as primeiras ocupações nas escolas estaduais de São Paulo, contra o projeto de reorganização do ensino defendida por — olha ele ai de novo — Geraldo Alckmin. E claro, estávamos lá mais uma vez.

Para dizer a verdade, acompanhamos desde o começo sobre a mobilização dos estudantes em relação ao projeto. Nas primeiras manifestações, no começo de outubro, já marcávamos presença. Até então, o projeto acabaria resultando no fechamento de centenas de escolas.

Por conta dos protestos — que teve seu ápice com um deles reunindo mais de 90 mil pessoas convocadas pela Apeoesp — o governo recuou, reduzindo o número para 94 escolhas que acabariam sendo fechadas para o projeto. Os secundaristas, claro, não aceitaram. E ocuparam.

No vídeo ao lado, produzido por Francisco Toledo, era apenas o começo de uma mobilização que ficaria na história.

Registramos a ocupação Fernão Dias Paes logo nos seus primeiros dias. O risco diário de reintegração de posse ou invasão por parte da Polícia Militar, e a presença e generosidade de ativistas e apoiadores que chegavam a dormir em barracas do lado de fora da escola para impedir que isso ocorresse.

A escola não foi reintegrada pelo Estado, desencadeando em uma série de ocupações em diversas escolas espalhadas por São Paulo. Em duas semanas de mobilização, já eram 100. Em um mês, mais de 200.

Chegando o mês de dezembro, os secundaristas — analisando o silêncio do governo estadual — resolveram fechar as vias públicas. E deu certo.

Mas antes de dar certo, veio a repressão brutal da Polícia Militar, resultando na prisão de dezenas de estudantes e apoiadores, e vários feridos.

Fotos: na esquerda, por Felipe Malavasi, na direita por Reinaldo Meneguim, para o Democratize

Após as imagens da brutalidade contra estudantes adolescentes circularem ao redor do mundo, e de sua popularidade despencar, o governador tucano “recuou”. A reorganização escolar não seria mais feita em 2016, onde abriria espaço para um “diálogo” com a comunidade, alunos e professores, para que então o projeto voltasse para 2017.

Apesar de muitos não considerarem uma vitória, foi uma grande derrota para o governador Alckmin, que assistiu de camarote o seu então secretário da Educação, Herman Voorwald, pedir demissão do cargo.

A série de ocupações acabou virando documentário, o primeiro produzido pela Agência Democratize, chamado Ocupar e Resistir.

Em fase de produção, a ideia do filme foi acompanhar a rotina nas escolas ocupadas. Foram mais de 13 escolas registradas pela nossa equipe, e diversas entrevistas e protestos até o momento. O trabalho vai continuar: a previsão de término da pós-produção fica para o começo do segundo semestre de 2016, com exibição para o final do próximo ano.

Filmagem do documentário na escola Maria José, ocupada por alunos | Foto: Gabriel Soares/Democratize

Para tornar o documentário possível, o Democratize lançou um financiamento coletivo, no qual você pode ajudar clicando aqui.


Foram menos de seis meses até agora, mas muito foi feito.

O ano de 2015 foi meio louco, e acreditamos que contribuímos para que ele nunca saia da história.

Até o momento, os números do Democratize são:

Mais de 6.100 curtidas no Facebook; quase 500 mil views em seu perfil no Medium; mais de 100 seguidores no Youtube, com quase 8.500 visualizações de vídeo no total; e com um alcance recorde de quase 500 mil pessoas nas redes sociais integradas.

Acreditamos que o ano de 2016 tem tudo para ser mais louco ainda. E estaremos lá, registrando tudo mais uma vez — seja nas ruas, nas ocupações, em Brasília ou seja onde for.

Vamos ajudar a democratizar a comunicação?


A equipe Democratize: Francisco Toledo, Sarah Ferreira, Thais Helena Ribeiro, Wesley Passos, Reinaldo Meneguim, Fernando DK, Felipe Malavasi, Rafaela Carvalho, Cae Oliveira, Paulo Silveira, Alice Vergueiro, Gabriel Lindenbach, Marcos Fantini, Giovana Meneguim, Gabriel Soares e a novata Nathalia Marques (seja bem vinda!)

By Democratize on December 25, 2015.

Exported from Medium on September 23, 2016.

Posts Relacionados

On Top
error: Para reproduzir o conteúdo do Democratize, entre em contato pelo formulário.
%d blogueiros gostam disto: