Governo ou oposição? Golpismo ou impeachment? A oposição de esquerda não quer saber dos dois lados. Por isso, colocou mais de 15 mil…

15 mil nas ruas contra PT e PSDB

15 mil nas ruas contra PT e PSDBGoverno ou oposição? Golpismo ou impeachment? A oposição de esquerda não quer saber dos dois lados. Por isso, colocou mais de 15 mil…


15 mil nas ruas contra PT e PSDB

Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

Governo ou oposição? Golpismo ou impeachment? A oposição de esquerda não quer saber dos dois lados. Por isso, colocou mais de 15 mil pessoas nas ruas em São Paulo no dia 18 de setembro, para declarar que a oposição de esquerda existe — e pretende pegar de volta o protagonismo das ruas.

“Vocês estão fazendo o jogo da direita” — é assim que começa quase todo argumento que parte de setores governistas contra a esquerda que se posiciona contra medidas aplicadas por Dilma Rousseff e seu governo. Mas não é bem assim. Aliás, está longe de ser assim.

Muitas medidas aplicadas de um tempo pra cá pelo governo petista influenciam diretamente nos desejos dos setores mais privilegiados da sociedade. Não por acaso, por diversas vezes tais setores defenderam a estabilidade do governo, contra o desejo de movimentos de direita que andaram tomando pra si as ruas pelo Brasil em 2015.

São medidas como o primeiro ajuste fiscal, o silêncio do governo federal em relação ao projeto de terceirização (o PT, apesar de ter se posicionado contra no Congresso, não contou com o apoio do próprio governo), a privatização de aeroportos, o recente pacote de austeridade — que afeta diretamente projetos progressistas como o Minha Casa Minha Vida — e várias outras medidas e ações do segundo mandato de Dilma, como a indicação de um neoliberal convicto para o Ministério da Fazenda, e também de uma das representantes do agronegócio no Ministério da Agricultura.

Agora, o governo se encontra em uma situação de refém daquilo que ele próprio criou: o tal do governismo cego. A noção de que é preciso fazer alianças com setores conservadores para manter a governabilidade. Não deu certo. Agora, o Partido dos Trabalhadores e a própria presidenta Dilma são reféns da sua criação.

Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

Por isso, setores de oposição de esquerda se cansaram de depender da boa vontade da base governista.

Encabeçado pelo CSP Conlutas, o ato do dia 18 de setembro pode ter sido o começo de uma organização unificada de mobilizações que tem como objetivo retomar as ruas para a esquerda progressista.

Nada é impossível: vale lembrar que o que encheu os atos da direita neste ano foi a classe média despolitizada — a mesma que também inflou os atos pós-MPL em junho de 2013, que não admitiam um caráter propriamente dito de esquerda e nem de direita, mas defendia sim medidas historicamente conhecidas como bandeiras da esquerda: priorização nos setores de saúde e educação pública, redução de impostos para as classes média e baixa (o que abriria um possível espaço de contrapartida para a taxação de grandes fortunas), uma reforma política democrática e participativa, entre outros.

Esse público, essa massa desorientada, pode sim ser trazida de volta para os braços da oposição de esquerda. Como diria o poeta brasileiro Paulo Leminski: “A consciência vem de fora…” — é preciso levar a consciência política para esses setores, historicamente guiados pelo senso comum e por contradições.

No ato, além da presença de sindicatos, movimentos estudantis e sociais, ou partidos políticos como o PSTU, PSOL e PCB, tivemos a oportunidade de ver novamente nas ruas manifestantes que resolveram ir apenas por conta própria. O que transformou as Jornadas de Junho em algo único e eficaz não foi a presença propriamente dita de partidos de esquerda ou movimentos sociais, e sim a presença do manifestante comum. Aquele que, apesar de ter uma consciência política, não vive de política. Possui uma ligação com algum partido, mas não é militante. Já é uma vitória.

Outro passo seria talvez fazer as pazes com os movimentos anarquistas. Não existe unidade de esquerda se ignorarmos um dos setores que mais foi perseguido nos dois últimos anos de manifestações. Os 23 ativistas presos no Rio de Janeiro não faziam parte de partidos políticos. Eram manifestantes comuns, que tinham ligações com movimentos anarquistas, e pagaram o preço.

Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

Um aspecto positivo que pode atrair manifestantes comuns, a classe média despolitizada e setores anarquistas foi a posição firme e forte contra o Partido dos Trabalhadores e também o PSDB: nenhum deles foi poupado.

Bonecos de Dilma e Aécio Neves foram levados para a manifestação, travestidos com ternos com símbolos de empreiteiras e bancos, aqueles que pagam suas campanhas. O presidente da Câmara dos Deputados também não foi poupado. Eduardo Cunha também teve seu boneco no estilo pixuleco.

As manifestações de direita são questionáveis justamente por centrar sua atenção em apenas um partido político, como se eliminando-o todos os problemas estivessem resolvidos. Uma triste falácia, um argumento completamente inválido, que serve de forma populista para apenas atrair um público chave, como se eliminando um partido todo o resto pudesse ser resolvido naturalmente, com o tempo. Errado.

E tanto a classe média quanto os setores mais pobres sabem disso. Não é preciso ter consciência política ou viver de política para saber que o problema não está em partido X ou Y, e sim no sistema como um todo. O próximo passo é construir uma alternativa, uma forma de solucionar esse problema.

Texto por Francisco Toledo, do Democratize

By Democratize on September 20, 2015.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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