Durante os protestos contra Dilma Rousseff, muitos empresários usaram o “pato” como símbolo do que eles não estavam dispostos a pagar…

12 horas de trabalho: estamos preparados para pagar o pato?

12 horas de trabalho: estamos preparados para pagar o pato?Durante os protestos contra Dilma Rousseff, muitos empresários usaram o “pato” como símbolo do que eles não estavam dispostos a pagar…


12 horas de trabalho: estamos preparados para pagar o pato?

Foto: Daniel Arroyo/Democratize

Durante os protestos contra Dilma Rousseff, muitos empresários usaram o “pato” como símbolo do que eles não estavam dispostos a pagar. Dilma caiu, Temer assumiu. Agora, parece que o novo governo e os empresários já escolheram quem deve pagar pela crise — ou pagar o pato: a classe trabalhadora, com a nova reforma trabalhista com jornada diária de 12 horas.


Por Francisco Toledo

Assim que o processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) começou a ganhar força, um site chamado Alerta Social começou a denunciar os passos e tapas do novo governo em Brasília, no que se refere aos direitos conquistados pela sociedade brasileira e as medidas do então interino Michel Temer para modificá-los.

De lá pra cá, aconteceu esse tipo de coisa:

  • Michel Temer revoga sistema de avaliação da educação básica do MEC — decisçao repudiada pelo CNDE (Campanha Nacional pelo Direito à Educação);
  • O Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, troca composição da Comissão de Anistia e nomeia simpatizantes da Ditadura Militar — incluindo o professor de Direito Constitucional da USP, Manoel Gonçalves Ferreira Filho, conhecido teórico e apoiador do regime militar pelo qual chama de “Revolução de 1964”;
  • O programa Mais Educação não terá vagas abertas neste ano;
  • Congresso aprova cortes na Saúde e Educação por pedido do governo Temer; e por ai vai…

Foto: Felipe Malavasi/Democratize

Mas o pato ainda estava por vir.

Era de se imaginar que Michel Temer não tomasse muitas medidas drásticas antes do processo de impeachment se encerrar.

Agora, empossado de fato presidente da República, Temer tem outro problema: as eleições municipais. Ele e seu partido alegam que é necessário esperar até o final do ano para colocar em prática o que chamam de “pacote de maldades”.

Mas o empresariado, preocupado com a “crise” e com a necessidade de colocar em prática políticas que beneficiem sua classe, já pressionam o novo presidente para dar passos largos em relação a Reforma Trabalhista e também a Reforma da Previdência.

Portanto, nesta quinta-feira (8), o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, resolveu dar a boa notícia para seus aliados. Após um encontro com sindicalistas em Brasília, o ministro afirmou que a Reforma Trabalhista será enviada ao Congresso até o fim deste ano, e ainda vai oficializar a carga horária diária de até 12 horas. Além disso, várias alterações drásticas na CLT estão previstas — o que o governo e o lobby pró-empresarial chama de “modernização”, incluindo a perda de direitos e a possibilidade dos patrões “negociarem” pontos específicos com o funcionário, como se a relação entre ambos fosse igualitária — coisa que não é no Brasil.

Como esperado, a notícia caiu como uma bomba para a sociedade civil. Nas redes sociais, o governo Temer foi duramente criticado pela falta de diálogo com a população sobre “como resolver a crise”. Afinal de contas, haviam tirado Dilma Rousseff para “não pagar o pato”. E justamente agora, teriam de pagar.

Temendo um aumento dos protestos após a declaração de Ricardo, o governo já havia começado a se articular na noite desta quinta para tentar reverter a situação.

Hoje, sexta-feira de manhã, o ministro Ronaldo Nogueira negou que o governo pretenda elevar o limite da jornada diária de 8 para 12 horas. Por orientação do próprio Michel Temer, o ministro do Trabalho afirmou que foi “hipotético”: “Citei o exemplo dos hospitais, que têm a jornada 12×36 que é feita mediante convenção coletiva”, disse o ministro, tentando arrumar a bagunça feita.

O fato é que para colocar em prática aquilo que os empresários querem, o governo Temer precisará sim tomar medidas drásticas.

E tais medidas, por causa dos protestos desde a semana passada e das eleições municipais no próximo mês, não devem acontecer nos próximos dias.

Mas vai acontecer.

Estaremos nós preparados para pagar o pato, ou a rua pode se tornar uma saída para a crise? Ocupar a rua, ou pagar o pato?

Foto: Felipe Malavasi/Democratize


Francisco Toledo é co-fundador e escritor pela Agência Democratize em São Paulo

By Democratize on September 9, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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